Transições no trabalho custam R$ 1 trilhão anuais à economia brasileira, segundo um levantamento recente que analisou de forma comparativa como diferentes mercados lidam com mudanças ao longo da vida profissional.
O relatório, elaborado pela multinacional de educação Pearson, indica que o Brasil enfrenta perdas equivalentes a cerca de 9 por cento do seu PIB por falhas que começam antes da entrada no mercado e seguem até a movimentação entre empregos.
Transições no trabalho custam R$ 1 trilhão anuais à economia brasileira
O estudo examinou oito economias e mostrou que o país concentra o maior impacto proporcional entre todos os analisados.
A Pearson partiu do conceito de ciclos de transição, que inclui o momento em que jovens deixam a escola e tentam ingressar no mercado, o período em que trabalhadores mudam de emprego e o efeito das tecnologias que substituem funções tradicionais.
Segundo a pesquisa, é no deslocamento entre um posto e outro que o Brasil sofre a maior redução de eficiência econômica.
A demora na recolocação, que chega a cerca de dez meses em média, pesa diretamente sobre a produtividade nacional e explica mais da metade das perdas estimadas.
Para efeito de comparação, países como Canadá e Reino Unido conseguem reinserir profissionais em prazos bem menores, o que reduz a interrupção das trajetórias de trabalho.
A Pearson calcula que, se o Brasil conseguisse cortar um quinto do tempo médio de busca por uma nova vaga, a economia recuperaria algo próximo de 140 bilhões de reais por ano.
A distância entre a formação oferecida e as exigências reais do mercado aparece como um dos fatores que sustentam essa dificuldade.
A CEO da empresa no país, Cinthia Nespoli, aponta que empresas relatam dificuldade em encontrar profissionais com as habilidades adequadas, enquanto parte significativa da força de trabalho mais jovem não estuda nem participa de atividades produtivas, o que agrava a defasagem.
Avanço da automação aumenta número de transições no trabalho
Outro ponto tratado no relatório é o avanço da automação. A pesquisa indica que quase um terço dos empregos brasileiros está em posição vulnerável à substituição por tecnologias, proporção superior à observada em economias como Austrália e Estados Unidos.
Esse quadro aumenta a pressão por políticas de requalificação que preparem os trabalhadores para funções menos expostas.
O documento conclui que enfrentar o desemprego estrutural e criar mecanismos de adaptação para a automação são tarefas urgentes.
Sem isso, o país tende a repetir perdas bilionárias todos os anos e a limitar o potencial de crescimento de uma população ainda majoritariamente jovem.






