O novo levantamento do EDGAR, banco de dados global mantido pela Comissão Europeia, apresentou uma mudança importante na forma como o Brasil aparece no cenário climático internacional.
Em vez de olhar apenas para o total de gases lançados na atmosfera, o estudo analisa quanto cada habitante, em média, contribui para o aquecimento global.
Nesse recorte, o país ocupa o 8º lugar entre os 10 maiores emissores do planeta, com 5,93 toneladas de CO₂ equivalente por pessoa em 2024, um número que revela hábitos de consumo, matriz energética e impactos diretos da atividade econômica brasileira.
Por que o ranking muda quando a análise é per capita
Ao dividir as emissões totais pela população, países com bilhões de habitantes perdem posições, enquanto aqueles com produção energética intensiva sobem. É por isso que a Índia, apesar de ser o terceiro maior emissor total, aparece em último lugar entre os dez analisados, com apenas 3 toneladas por pessoa.
O tamanho gigantesco da população dilui o impacto individual. Já nações dependentes de combustíveis fósseis, como Arábia Saudita, Rússia e Estados Unidos, lideram o ranking por habitante, refletindo níveis elevados de consumo energético e modelos produtivos altamente poluentes.
Os líderes globais por pessoa e a posição brasileira no bloco
No topo da lista aparece a Arábia Saudita, com impressionantes 22,8 toneladas de CO₂ equivalente por habitante. Em seguida vêm Rússia, com 18 toneladas, e os Estados Unidos, com 17,3. China, apesar de liderar o mundo em emissões totais, aparece apenas na 5ª posição per capita, com 10 toneladas por pessoa.
O Brasil, na 8ª colocação, aparece acima de países como Indonésia e Índia, mostrando que, embora não seja o maior emissor absoluto, ainda carrega uma pegada ambiental por pessoa maior do que o ideal para um país com vocação florestal e matriz energética relativamente limpa.
O que explica a posição do Brasil nesse recorte
As emissões brasileiras têm características próprias, intensificam-se com o desmatamento, com a pecuária e com a expansão agrícola. Diferentemente de países onde o setor industrial e energético domina as emissões, grande parte da poluição nacional está atrelada a mudanças no uso da terra.
A derrubada de florestas libera grandes quantidades de CO₂, e a criação de gado adiciona volumes altos de metano, um gás de efeito estufa muito mais potente que o dióxido de carbono.
Além disso, o transporte rodoviário, altamente baseado em combustíveis fósseis, também contribui significativamente para o índice por habitante.
A queda brasileira no ranking total e o contexto global
Apesar da 8ª posição per capita, o Brasil caiu de 6º para 7º lugar no ranking total de emissões entre 2023 e 2024, sendo ultrapassado pela Indonésia. O país registrou 1.299 megatoneladas de CO₂ equivalente no último ano, enquanto a China, líder absoluta, ultrapassou 15.500 megatoneladas.
Em seguida vêm Estados Unidos e Índia. Esses números mostram que, mesmo com matriz elétrica majoritariamente renovável, o peso do desmatamento e das atividades agropecuárias mantém o Brasil entre os grandes emissores globais.
Por que os gases de efeito estufa continuam sendo um alerta
Os gases responsáveis pelo aquecimento global, CO₂, metano, óxido nitroso e compostos industriais, têm a capacidade de reter calor na atmosfera e intensificar o efeito estufa.
O aumento dessas concentrações impulsiona o aquecimento global, acelera o derretimento de geleiras, eleva o nível dos oceanos e provoca eventos climáticos extremos.
O EDGAR mede exatamente essas emissões associadas principalmente a atividades humanas: geração de eletricidade com combustíveis fósseis, transportes, agricultura intensiva e processos industriais.
Desafios e caminhos para uma redução efetiva
O fato de o Brasil ocupar posição tão elevada entre os maiores emissores per capita aciona o alerta para a necessidade de fortalecer políticas de redução do desmatamento, incentivar tecnologias limpas na agropecuária, ampliar o uso de energias renováveis no transporte e modernizar setores industriais.
Com vasta biodiversidade e um dos maiores potenciais de energia limpa do mundo, o país tem condições de liderar a transição verde, mas isso depende de ações firmes e contínuas, capazes de transformar números preocupantes em resultados sustentáveis ao longo das próximas décadas.





