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Patente de 1891 dá ponto final na maneira correta de usar o papel higiênico

Por Leticia Florenço
18/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Papel Higiênico - Reprodução/iStock

Papel Higiênico - Reprodução/iStock

A humanidade já enfrentou batalhas complexas, científicas, filosóficas, políticas, mas poucas foram tão persistentes quanto o dilema doméstico sobre a posição correta do papel higiênico.

Por décadas, a discussão entre deixar a ponta “por cima” ou “por baixo” do rolo dividiu famílias, gerou brincadeiras e até inspirou pesquisas informais. Um assunto aparentemente trivial ganhou contornos quase culturais, porque cada lado defendia suas preferências com convicção e argumentos práticos.

De um lado, o time “por cima” justificava a escolha dizendo que assim a ponta do papel é mais fácil de encontrar, o uso é mais intuitivo e a higiene é maior, pois evita que a mão toque a parede.

Do outro, os defensores do “por baixo” afirmavam que deixar o papel pendendo discretamente para trás evita que animais ou crianças desenrolem o rolo inteiro com um simples puxão. A discussão, embora leve, tornou-se universal. Cada casa tinha uma regra, e cada regra parecia imutável.

A resposta que estava escondida havia 130 anos

Em 2015, uma descoberta simples mudou completamente o rumo desse debate. O escritor Owen Williams encontrou nos arquivos de patentes uma imagem registrada em 1891 por Seth Wheeler, o inventor do papel higiênico perfurado.

Os desenhos técnicos anexados ao documento mostravam de maneira clara, objetiva e inquestionável que a ponta do papel deveria sair pela frente do rolo, exatamente como defendem os adeptos do “por cima”.

Ou seja, o próprio criador do produto já havia determinado qual era a posição correta mais de um século antes da discussão se tornar polêmica.

A intenção original do inventor

Seth Wheeler não criou apenas o papel perfurado em 1871; ele se dedicou a aperfeiçoá-lo ao longo das décadas seguintes. Seu objetivo era torná-lo mais eficiente, reduzir desperdícios e facilitar o uso para qualquer pessoa.

No texto da patente, Wheeler deixa claro que seu design foi pensado para funcionar com suportes simples e garantir que cada folha fosse destacada sem esforço. Para isso, o papel precisava necessariamente cair para a frente.

Ele não imaginava que seu desenho técnico se transformaria, no futuro, em uma “prova oficial” numa discussão tão duradoura.

A ciência também se posicionou

Mesmo que a palavra do inventor já fosse suficiente, estudos recentes reforçaram a ideia de que o papel deve ser pendurado por cima. O professor Christian Moro, especialista em ciências da saúde, explicou que essa posição diminui o risco de contato com superfícies contaminadas.

Em banheiros, vírus e bactérias como E. coli, estafilococos e estreptococos podem sobreviver por horas, e tocar na parede atrás do suporte aumenta a chance de contaminação. Uma simples mudança na orientação do rolo pode reduzir a transmissão desses micro-organismos em espaços compartilhados.

Além da discussão sobre a posição correta, outro debate ganhou força nos últimos anos: a eficácia real do papel higiênico como método de limpeza. O New York Times lembrou que, ao longo da história, a humanidade já utilizou os mais diversos materiais, de folhas e conchas a espátulas com esponjas.

E embora o papel tenha sido uma revolução prática, especialistas afirmam que ele não garante a higienização completa e pode até causar irritações quando usado em excesso ou combinado com produtos químicos de lenços umedecidos.

Durante a pandemia de Covid-19, o papel higiênico se tornou símbolo de controle, e as compras desenfreadas revelaram mais uma crença emocional do que uma necessidade real.

A água como alternativa mais higiênica

Enquanto o Ocidente debate rolos e posições, grande parte do mundo prefere um método diferente: a limpeza com água. No Japão, vasos sanitários com jatos ajustáveis de água quente são padrão.

Na Europa e na Ásia, bidês ou duchas higiênicas são comuns. O motivo não é apenas cultural, é também sanitário. Estudos indicam que a água remove resíduos de forma mais eficiente e causa menos irritação na pele.

Ainda assim, no Brasil e em muitos outros países ocidentais, a ideia ainda encontra resistência, muitas vezes por desconhecimento ou preconceitos históricos.

Os lenços umedecidos e o problema invisível

Como terceira alternativa, surgiram os lenços umedecidos, mas sua popularização trouxe consequências ambientais severas.

Embora vendidos como práticos e modernos, eles demoram a se decompor, grudam em gordura e formam enormes blocos sólidos dentro das redes de esgoto, conhecidos como “fatbergs”.

Algumas cidades já registraram entupimentos gigantescos causados exclusivamente pelo acúmulo desses lenços, o que gera gastos públicos e risco de colapso nos sistemas sanitários.

O veredito final depois de um século de debate

Apesar de novas alternativas de higiene e da evolução tecnológica dos banheiros, o papel higiênico continua predominante na maior parte do mundo, e com ele, a eterna dúvida sobre o jeito certo de pendurar o rolo.

Agora, porém, a questão não é mais de opinião. A patente de 1891 deixa claro qual era a visão do inventor, o rolo deve ficar com a folha virada para a frente. É a orientação mais prática, funcional e, segundo a ciência, mais higiênica.

Por mais que algumas discussões nunca terminem, há algo reconfortante em saber que até dilemas domésticos têm uma origem documentada e uma resposta oficial. O mundo mudou desde 1891, mas a lógica de Wheeler continua atual, o papel por cima é mais eficiente e mais seguro.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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