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Essas são as carreiras com maior risco de estresse

Por Leticia Florenço
15/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Estresse - Reprodução/Unsplash

Estresse - Reprodução/Unsplash

O Brasil enfrenta uma verdadeira crise de saúde mental no ambiente profissional. Dados do Ministério da Previdência Social, obtidos pelo G1, revelam que quase meio milhão de afastamentos em 2024 foram motivados por transtornos psicológicos, o maior número em pelo menos uma década.

Ao todo, 472 mil licenças foram concedidas por motivos de saúde mental, um salto de 68% em relação ao ano anterior. O ritmo de crescimento revela que o estresse, a ansiedade e a depressão já se tornaram problemas estruturais do mundo do trabalho.

Essa tendência atinge todas as áreas, mas algumas profissões se destacam pelo grau de cobrança, instabilidade e sobrecarga emocional. São carreiras que exigem muito mais do que desempenho técnico, pedem resiliência, paciência e, muitas vezes, uma capacidade sobre-humana de lidar com o caos.

Motoristas de aplicativo, entregadores e caminhoneiros

Esses profissionais enfrentam longas jornadas, isolamento e insegurança constante. A rotina nas ruas, o trânsito intenso e a pressão por ganhos diários tornam o trabalho fisicamente e mentalmente desgastante.

Além da falta de vínculos empregatícios formais, muitos vivem sob a incerteza de ganhos variáveis e sem pausas adequadas. O resultado é um cenário de exaustão crônica, irritabilidade e solidão, que favorece o aparecimento de transtornos de ansiedade e depressão.

Funcionários de call center e atendimento

Trabalhar com o público é desafiador; fazer isso sob vigilância constante é ainda pior. Nos call centers, as metas rigorosas e o controle por tempo e desempenho transformam o ambiente em um campo de pressão contínua.

Os profissionais lidam com reclamações diárias, muitas vezes sob um sistema automatizado e impessoal. Essa rotina de repetição e tensão leva a sintomas de angústia, desânimo e distúrbios de sono. O desgaste emocional é tão intenso que a rotatividade no setor é uma das mais altas do país.

Professores e educadores

A educação brasileira vive uma crise silenciosa: os professores estão adoecendo. Entre turmas cheias, falta de recursos, desvalorização salarial e cobranças de desempenho, o trabalho docente se tornou um dos mais emocionalmente pesados.

Além da sobrecarga de aulas e burocracia, há o desafio de lidar com problemas sociais que ultrapassam o papel da escola. O resultado é um quadro frequente de esgotamento mental, ansiedade e síndrome de burnout, especialmente entre os profissionais da rede pública.

Trabalhadores da área de TI e tecnologia

A imagem glamourosa do setor de tecnologia esconde uma realidade de alta pressão e solidão digital. Prazos apertados, longas horas em frente a telas e a constante necessidade de atualização criam um ciclo de hiperprodutividade e autocrítica.

O trabalho remoto, embora ofereça conforto, também intensifica o isolamento e a dificuldade de desconexão. Especialistas apontam que a cultura do “sempre online” e o medo de ficar para trás no mercado fazem com que muitos desenvolvam ansiedade de desempenho e exaustão mental profunda.

Trabalhadores da área de vendas e atendimento ao público

Viver de metas é viver sob pressão. No comércio e nas empresas de vendas, a cobrança por resultados e comissões torna o ambiente competitivo e estressante. A insegurança financeira, o medo de não bater metas e a necessidade de manter simpatia constante diante de clientes exigentes criam um cenário emocionalmente desgastante.

Em tempos de crise econômica, essa pressão se intensifica, e muitos acabam desenvolvendo transtornos de humor, irritabilidade e baixa autoestima.

Profissionais da saúde

Cuidar de vidas é uma das tarefas mais nobres, e também uma das mais estressantes. Nos hospitais e prontos-socorros, a sobrecarga de plantões, o contato com a dor e a morte, e a falta de recursos colocam os profissionais sob tensão permanente.

A pressão por decisões rápidas e o medo de erros ampliam o desgaste psicológico. Pesquisas indicam que o burnout atinge de 40% a 60% dos profissionais da saúde, levando muitos a afastamentos ou à desistência da carreira.

A pandemia apenas acelerou esse processo, deixando marcas profundas na saúde mental do setor.

Um problema que afeta empresas e o país

O aumento dos afastamentos por transtornos mentais não é apenas um drama humano, é também um problema econômico. A cada ano, milhões de dias de trabalho são perdidos, e os custos com licenças e benefícios crescem exponencialmente.

Empresas e órgãos públicos já discutem formas de prevenir o esgotamento, investindo em programas de bem-estar e acompanhamento psicológico. Mas a mudança necessária vai além do ambiente corporativo: exige uma nova cultura de trabalho, mais humana e sustentável.

Os números mostram que o esgotamento não é uma fraqueza individual. Reconhecer o estresse como questão coletiva é o primeiro passo para construir carreiras mais equilibradas.

Enquanto isso não acontece, profissões como as listadas continuarão sendo o retrato de uma geração que produz sem parar, mas vive exausta.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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