O que parecia ser mais uma revolução no mundo dos suplementos acabou se transformando em um caso de alerta sanitário.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou a proibição imediata da comercialização de todos os suplementos alimentares e energéticos da empresa OZT, que atua sob o nome Ozonteck Cosméticos.
O motivo, a presença de ozônio nas fórmulas, um gás sem qualquer comprovação de segurança para uso em produtos de ingestão. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e acompanhada da ordem de apreensão de todos os lotes disponíveis no mercado.
Quando o “oxigênio ativo” virou problema
O ozônio (O₃) é um gás formado por três átomos de oxigênio, conhecido por sua função protetora na atmosfera. Na Terra, ele é amplamente utilizado como agente de desinfecção em tratamentos de água, por seu alto poder oxidante.
No entanto, essa mesma característica o torna perigoso quando administrado de forma incorreta. A ingestão, inalação ou aplicação tópica sem controle médico pode causar irritação, lesões respiratórias e até risco de morte.
Ou seja, o que é benéfico em um contexto ambiental pode ser extremamente nocivo em um contexto biológico.
Propagandas que enganavam o consumidor
Além do uso indevido do ozônio, a Anvisa constatou que os produtos da Ozonteck eram divulgados com alegações terapêuticas não aprovadas, prometendo benefícios aos sistemas digestivo, hepático e cardiovascular.
De acordo com a legislação brasileira, apenas medicamentos com estudos clínicos comprovados podem fazer esse tipo de promessa. Suplementos, por lei, não podem anunciar propriedades de cura, prevenção ou tratamento de doenças, algo que a empresa ignorou em suas campanhas.
A diferença entre ozonioterapia e suplementos
Em 2023, a ozonioterapia foi oficialmente reconhecida como tratamento complementar no Brasil. Isso significa que o uso do gás é permitido apenas sob supervisão médica, em aplicações locais e controladas, geralmente para feridas de pele, inflamações ou dores articulares.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) estabeleceu limites claros e não autoriza nenhuma forma de aplicação via ingestão ou uso oral. Transformar o ozônio em suplemento, portanto, vai completamente contra a regulamentação vigente e representa um risco direto à saúde.
A defesa da empresa e o posicionamento da Anvisa
Em nota, a Ozonteck afirmou que todos os seus produtos seguem “padrões de qualidade e segurança” e que estão “em conformidade com a legislação vigente”. A empresa declarou ainda que suas equipes jurídicas e de qualidade já estão tomando as providências cabíveis e dialogando com os órgãos reguladores.
A Anvisa, no entanto, manteve sua decisão firme, ressaltando que não existe qualquer aprovação para o uso de ozônio em suplementos alimentares e que a proibição tem caráter preventivo e emergencial.
Proteção ao consumidor e lição para o mercado
A decisão da Anvisa de suspender e recolher os produtos da Ozonteck não é apenas uma punição, mas um alerta para todo o setor. A segurança deve estar acima da propaganda, e nenhuma empresa pode comercializar suplementos que contenham substâncias químicas sem aprovação científica.
O caso mostra que, quando o risco é real, as autoridades precisam agir rápido, e desta vez, agiram.






