Dois meses após ser absolvida da acusação de homicídio que respondia no Rio Grande do Sul, Damaris Vitória Kremer da Rosa, de 26 anos, morreu em 26 de outubro, em Santa Catarina. A jovem passou quase seis anos presa preventivamente até ser considerada inocente. Em março deste ano, Damaris recebeu o diagnóstico de câncer de colo do útero em estágio avançado, após meses relatando dores intensas e buscando atendimento médico dentro do presídio.
Apesar das queixas e das reiteradas solicitações da defesa para converter a prisão em domiciliar, a Justiça negou os pedidos até que a doença fosse confirmada por exames. Apenas após o diagnóstico foi concedido o alvará de soltura, possibilitando que ela deixasse o sistema prisional e iniciasse o tratamento oncológico em casa.
Histórico da mulher
Durante o tempo em que esteve presa, Damaris relatou fortes dores pélvicas e buscou atendimento médico várias vezes. Segundo a defesa, recebeu apenas medicações paliativas, como tramadol, dipirona e paracetamol, sem exames adequados. Mesmo com um laudo indicando alterações no aparelho reprodutor, o pedido de prisão domiciliar em 2024 foi negado.
Após o diagnóstico de câncer de colo do útero, iniciou quimioterapia e radioterapia nos hospitais Ana Nery e Regional de Rio Pardo. Depois, foi transferida para Balneário Arroio do Silva (SC) para tratar-se ao lado da mãe. A doença evoluiu rapidamente, e ela morreu no fim de outubro, sendo sepultada em Araranguá.
A advogada Rebeca Canabarro criticou a demora da Justiça e os quase seis anos de prisão preventiva, afirmando que o caso expõe o uso abusivo dessa medida, que em situações como essa se transforma em uma sentença antecipada.
Caso que levou à prisão
O caso que levou Damaris a ser presa começou em novembro de 2018, em Salto do Jacuí (RS), quando ela foi acusada de participar do assassinato de Daniel Gomes Soveral, com quem se relacionava. Segundo o Ministério Público, Damaris teria atraído Daniel até o Santuário Nossa Senhora dos Navegantes, onde ele foi morto com um tiro na cabeça.
Também foram acusados Henrique Kauê Gollmann, autor do disparo, e Wellington Pereira Viana, suspeito de ajudar no crime. A defesa sempre afirmou que Damaris era inocente e havia sido vítima de abuso sexual pela própria vítima. No júri de agosto de 2025, ela e Wellington foram absolvidos, e apenas Henrique foi condenado.






