Saulo Jennings, renomado chef paraense, é conhecido por transformar igarapés e rios da Amazônia em experiências gastronômicas únicas. Entre seus ingredientes mais preciosos está o aviú, um microcamarão menor que a unha de um polegar, disponível apenas na época da cheia do rio Tapajós.
Em pratos servidos em Belém e Santarém, ele simboliza o respeito à sazonalidade e à biodiversidade da floresta.
Segundo relatos, Jennings teria sido convidado para preparar o jantar de gala do príncipe William no Rio de Janeiro, no dia 5 de novembro, durante a cerimônia do prêmio Earthshot, reconhecido internacionalmente por valorizar iniciativas ambientais.
A proposta incluía um menu vegano para aproximadamente 700 convidados.
Uma decisão baseada em princípios
Apesar do prestígio e da visibilidade internacional, Jennings recusou o convite. Para o chef, cozinhar um menu vegano não se alinharia com sua filosofia de respeitar a sazonalidade e a origem dos ingredientes, especialmente os que dependem do ciclo natural da floresta.
“A gente tem que valorizar tudo que a floresta nos dá na sua hora e na sua quantidade”, explica ele.
O que é menu vegano
Um menu vegano exclui completamente alimentos de origem animal, incluindo carnes, laticínios, ovos e mel.
Diferente do vegetariano, que pode incluir laticínios e ovos, o vegano exige alternativas criativas para reproduzir sabor e textura, algo que Jennings diz não conseguir oferecer de maneira autêntica sem comprometer sua identidade culinária.
A decisão do chef paraense ganhou destaque internacional, provocando debates sobre ética gastronômica, respeito aos ingredientes locais e autenticidade culinária.
Enquanto alguns celebram a postura firme de Jennings, outros questionam se grandes eventos internacionais devem se adaptar aos princípios de chefs regionais.
Ao priorizar ingredientes sazonais e respeitar os ciclos da natureza, o chef nos lembra que a gastronomia é também uma forma de preservar o meio ambiente e de honrar tradições locais.
Seu gesto demonstra que, mesmo diante de convites internacionais e visibilidade global, é possível defender princípios e identidade culinária sem comprometer a ética e a autenticidade do trabalho.






