Se a influenciadora Virgínia Fonseca vivesse na China, o cenário seria bem diferente. A empresária, conhecida por compartilhar sua rotina com milhões de seguidores, poderia enfrentar sanções legais, incluindo multa e até banimento de suas redes sociais.
Isso porque o governo chinês colocou em vigor, em outubro, uma nova regulamentação que obriga influenciadores a comprovarem formação acadêmica ou certificação profissional para comentar sobre temas considerados técnicos, como saúde, medicina, direito e finanças.
E foi justamente em uma dessas áreas que Virgínia se envolveu em polêmica aqui no Brasil nas últimas semanas, ao tomar e recomendar para seus seguidores suplementos alimentares sem entender do assunto.
Virgínia Fonseca teria levado multa e sua conta seria banida nesse país
Recentemente, a influenciadora publicou stories em seu Instagram exibindo uma rotina matinal marcada por dezenas de cápsulas de suplementos alimentares.
Ao mostrar as pílulas, que contabilizavam mais de 14, a empresária contou que algumas delas ela sequer sabia exatamente para que serviam. Ainda assim, a cena foi compartilhada com naturalidade, em meio a elogios ao seu estilo de vida.
No entanto, o episódio gerou críticas e acendeu alertas nas redes sociais sobre a responsabilidade de influenciadores ao tratar de saúde pública. Mas na China, um conteúdo como esse não passaria impune.
A nova lei, anunciada pela Administração Estatal de Rádio e Televisão em parceria com o Ministério da Cultura e Turismo, tem como foco os criadores de conteúdo digital que abordam assuntos com alto grau de especialização.
Para continuar produzindo sobre temas como medicina ou nutrição, é necessário apresentar diplomas, certificações técnicas e garantir a veracidade das informações.
A regra vale principalmente para transmissões ao vivo, mas também se aplica a postagens regulares em plataformas como Douyin (versão chinesa do TikTok), Weibo e Bilibili.
Propagando de suplementos feita por Virgínia poderia render punições se fosse na China
Além disso, a norma proíbe a promoção disfarçada de produtos farmacêuticos ou suplementos, exige alertas de transparência em conteúdos sensíveis e determina que qualquer material gerado por inteligência artificial seja claramente sinalizado.
A intenção é conter a propagação de desinformação e proteger os usuários de práticas enganosas, algo que, na visão das autoridades chinesas, começa com a responsabilização dos criadores.
Se as regras chinesas fossem aplicadas no Brasil, Virgínia estaria na mira das penalidades. Como aqui não há regulação específica sobre o tema, a influenciadora apenas enfrentou uma onda de críticas.
Médicos e especialistas que atuam nas redes chegaram a dizer que ela presta um desserviço ao banalizar o uso de suplementos sem qualquer embasamento técnico.
Mesmo assim, o episódio ilustra um debate que ganha força: até onde vai a liberdade de influência quando a saúde está em jogo?
Por fim, vale lembrar que suplementos e medicamentos só devem ser ingeridos com recomendação médica, e que influenciadores digitais são pagos para promover produtos.





