Nos quatro anos seguintes à inauguração de sua clínica veterinária, a profissional de medicina animal registrou diversos casos graves e evitáveis em cães e gatos. Entre eles, doenças como leptospirose, parvovirose e raiva causaram complicações sérias, algumas com desfechos fatais, frequentemente relacionadas à falta de vacinação completa. Muitos desses episódios poderiam ter sido prevenidos por meio da aplicação correta das vacinas recomendadas, que oferecem proteção contra infecções graves e potencialmente letais.
Historicamente, a vacinação sempre foi uma prática comum na medicina de pequenos animais. No entanto, nos últimos anos, e de forma mais acentuada após a pandemia de Covid-19, aumentou a resistência de alguns tutores em imunizar seus pets, gerando desafios adicionais para a prevenção de doenças infecciosas.
Vacinação de animais
Muitos tutores passaram a duvidar da segurança, da necessidade e da periodicidade das vacinas, chegando, em alguns casos, a recusar totalmente a imunização de seus animais, inclusive contra vírus letais e incuráveis. Esse comportamento acompanha uma tendência semelhante ao movimento antivacina na medicina humana, influenciada por desinformação e questões políticas.
Pesquisas recentes mostram que uma parcela significativa de proprietários manifesta hesitação em relação à vacinação: entre 20% e 25% dos donos de cães e gatos demonstram relutância em imunizar seus pets. A desconfiança, reforçada pelas redes sociais e pelo contexto da pandemia de Covid-19, contribui para o aumento da resistência, mesmo diante da segurança e eficácia comprovadas das vacinas.
Riscos pros pets e humanos
A redução da cobertura vacinal entre animais de companhia não ameaça apenas a saúde dos próprios pets, mas também a dos seres humanos, uma vez que algumas enfermidades, como raiva e leptospirose, podem ser transmitidas entre espécies.
A crescente proximidade entre pessoas e animais domésticos aumenta esse risco, reforçando a importância da vacinação como medida essencial de saúde pública. Apesar da eficácia comprovada das vacinas, a hesitação em imunizar permanece em ascensão, tornando necessária uma maior conscientização sobre seus benefícios e sobre os perigos associados às doenças preveníveis.
Ao longo das últimas décadas, os protocolos veterinários foram atualizados, permitindo reduzir a frequência de reforços e minimizar efeitos adversos, que permanecem raros e inferiores aos riscos das doenças preveníveis.






