Pesquisadores brasileiros deram um passo promissor no enfrentamento do Alzheimer ao identificarem no veneno de marimbondo uma substância capaz de conter o avanço da doença.
O estudo, conduzido por cientistas da Universidade de Brasília (UnB), abre novas perspectivas para o tratamento de uma das condições neurodegenerativas mais desafiadoras da medicina atual.
Brasileiros descobrem que marimbondo pode curar Alzheimer com veneno
A pesquisa tem como foco os peptídeos presentes no veneno da vespa social Polybia occidentalis, uma espécie comum no Brasil.
Dentre essas moléculas, os cientistas isolaram compostos com propriedades que agem diretamente sobre a proteína beta-amiloide, considerada uma das principais responsáveis pelos danos neurológicos provocados pelo Alzheimer.
Em especial, a equipe identificou e desenvolveu dois peptídeos-chave: a octovespina e a alzpeptidina.
A octovespina, criada a partir de alterações estruturais em uma molécula original do veneno chamada occidentalina-1202, demonstrou capacidade de interagir com a beta-amiloide, reduzindo sua agregação no cérebro.
Já a alzpeptidina representa um avanço ainda mais significativo. Trata-se de uma molécula híbrida, que combina elementos da octovespina com outro peptídeo, a fraternina-10, extraída de uma segunda espécie de vespa.
Em testes computacionais, essa nova estrutura conseguiu atravessar a barreira hematoencefálica, uma das maiores dificuldades enfrentadas na criação de medicamentos neurológicos, e impedir a formação das placas tóxicas associadas à doença.
Substância capaz de conter o avanço do Alzheimer ainda não tem previsão de uso clínico
A pesquisa, ainda em fase pré-clínica, integra diferentes áreas do conhecimento, como bioinformática, farmacologia e nanotecnologia.
Os cientistas também estão desenvolvendo métodos inovadores de aplicação dos compostos, como a via intranasal, que demonstrou resultados iniciais encorajadores.
O trabalho conta com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e já resultou no depósito de patentes e em publicações internacionais.
Embora ainda não haja previsão para uso clínico em larga escala, pois o processo de validação e aprovação de medicamentos é longo e complexo, os dados obtidos até agora apontam para um potencial terapêutico real.
A descoberta reforça o valor da biodiversidade brasileira como fonte de inovação científica e destaca a importância do investimento em pesquisa para transformar conhecimento em soluções concretas para a saúde pública.





