Uma proposta apresentada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), envolvendo um dos peixes mais consumidos no país acendeu o alerta no setor aquícola brasileiro.
Em discussão desde o início de outubro, durante uma reunião do Conselho Nacional de Aquicultura e Pesca (Conape), a medida propõe a inclusão de uma das espécies mais presentes na alimentação do país na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras.
Segundo o documento, essa classificação se baseia no potencial impacto ambiental do animal sobre os ecossistemas aquáticos nacionais.
Peixe muito consumido por brasileiros corre risco de sumir das mesas
O peixe em questão é a tilápia, espécie de origem africana que se tornou dominante nos criadouros brasileiros. Atualmente, ela responde por quase 70% da produção aquícola nacional, com mais de 660 mil toneladas produzidas por ano.
Sua popularidade nas mesas brasileiras e seu peso na economia do setor fazem da proposta um tema altamente sensível.
Para os técnicos da Conabio, no entanto, a preocupação é ecológica: a tilápia, por sua alta taxa reprodutiva e resistência, pode escapar dos sistemas de cultivo e se disseminar por rios, represas e lagos.
Isso colocaria em risco espécies nativas ao competir por alimento e habitat, além de alterar a composição da fauna e afetar a qualidade da água.
Outro ponto levantado no relatório da comissão envolve o impacto dos métodos de cultivo intensivo. O uso de rações industrializadas, com alta carga de fósforo e nitrogênio, estaria contribuindo para a eutrofização de corpos d’água próximos aos viveiros.
Esse fenômeno, caracterizado pelo aumento excessivo de nutrientes na água, favorece a proliferação de algas e reduz os níveis de oxigênio, podendo levar à morte de peixes e ao desequilíbrio de comunidades aquáticas inteiras.
Produtores do peixe se manifestaram contrários a decisão
A repercussão no setor produtivo foi imediata. Representantes da aquicultura consideram a proposta desproporcional e temem que a classificação como espécie invasora leve, na prática, à restrição ou até mesmo à proibição do cultivo da tilápia em território nacional.
Para os produtores, isso significaria um golpe direto sobre uma atividade consolidada, altamente tecnológica, licenciada e responsável por movimentar bilhões de reais e gerar milhares de empregos.
Diante das implicações da proposta, o Ministério da Pesca e Aquicultura cobrou esclarecimentos da Conabio.
A pasta alerta para os riscos de insegurança jurídica e os impactos socioeconômicos que a medida pode causar, defendendo que qualquer decisão deve ser baseada em critérios científicos sólidos e considerar os efeitos sobre a produção e o abastecimento alimentar do país.






