A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, em 23 de outubro de 2025, a suspensão da manipulação de todos os implantes hormonais estéreis da Elmeco, empresa líder no setor no Brasil. A medida envolve questões de segurança e práticas de fabricação, destacando riscos potenciais aos pacientes.
Todos os produtos estéreis da Elmeco tiveram a manipulação suspensa temporariamente, mas dois receberam restrições máximas, os implantes de testosterona e de Nesterone.
A decisão foi motivada por falhas graves nas Boas Práticas de Manipulação, incluindo riscos de contaminação e exposição a endotoxinas bacterianas, capazes de provocar reações graves no organismo.
O Nesterone, por exemplo, nunca teve sua eficácia e segurança avaliadas oficialmente, enquanto os implantes de testosterona apresentaram falhas críticas no processo de limpeza e despirogenização dos frascos.
Base legal da decisão
A Anvisa fundamentou a suspensão e a proibição na Resolução-Re nº 4.171/2025, que detalha a interrupção da manipulação de todas as preparações estéreis da Elmeco e a proibição específica do Nesterone e da testosterona.
O principal objetivo é proteger os pacientes de contaminações, adulterações e riscos associados ao uso de hormônios manipulados.
História da Elmeco
Fundada em 1993 pelo ginecologista Elsimar Coutinho, a Elmeco foi a primeira farmácia no Brasil dedicada à produção de implantes hormonais, mesmo sem regulamentação específica.
Coutinho ficou conhecido por defender o uso terapêutico da gestrinona, esteroide derivado da nandrolona, que chegou a ser usado na década de 1970 para tratar endometriose, mas foi abandonado devido a efeitos colaterais e à chegada de alternativas mais seguras.
O médico, no entanto, apostou na via subcutânea, que permanece como carro-chefe da empresa.
Aumento dos produtos
Com o tempo, a Elmeco passou a manipular outros hormônios, como testosterona, oxandrolona e Nesterone, alegando diferentes usos terapêuticos, de reposição hormonal a tratamentos para miomas uterinos, endometriose e sarcopenia.
Em sua própria comunicação, a empresa reconhece benefícios secundários, como aumento da libido, disposição e massa muscular. Em 2023, o apelo estético fez os implantes ganharem o apelido de “chip da beleza”, impulsionados por influenciadores digitais e pelo mercado de estética.
Críticas
Especialistas alertam para o uso indiscriminado de hormônios sem evidências científicas, ressaltando riscos que vão de acne e queda de cabelo a problemas hepáticos e cardiovasculares.
Entidades médicas como SBEM, Febrasgo e Abeso questionam a segurança desses implantes, chamando atenção para interesses comerciais que muitas vezes se sobrepõem à saúde do paciente.
A decisão da Anvisa foi bem recebida, mas considerada parcial por especialistas. Clayton Macedo, da SBEM, afirma que a medida resolve apenas parte do problema e defende a proibição total.
Maria Celeste Osório Wender, presidente da Febrasgo, enxerga a decisão como um avanço, mas espera medidas adicionais de controle. Ambos destacam que os riscos superam os benefícios e lembram que existem tratamentos seguros e aprovados para reposição hormonal e outras indicações.
Posição da Elmeco
A Elmeco afirma ter realizado adequações após inspeção recente e protocolou um plano de ação para demonstrar conformidade. No entanto, discorda da resolução da Anvisa e anuncia que tomará medidas legais para esclarecer e legitimar sua atuação empresarial.
A medida da Anvisa deve gerar impactos diretos sobre pacientes e mercado. Pacientes precisam de acompanhamento médico, e a oferta de implantes hormonais poderá diminuir, enquanto a fiscalização sobre outras farmácias deve aumentar.






