Após décadas de produção baseada no xarope de milho com alto teor de frutose, a Coca-Cola nos Estados Unidos lança uma versão feita com açúcar de cana.
A mudança, que já era padrão em países como México, marca uma reinterpretação do refrigerante que há mais de cem anos conquistou o mundo. Garrafas de vidro de 355 ml começam a chegar em mercados selecionados, trazendo de volta o sabor que muitos consideram “mais autêntico”.
Pressão política e influência presidencial
O movimento ganhou força após declarações do ex-presidente Donald Trump, que defendeu a adoção de ingredientes “mais naturais”.
Em julho, Trump anunciou em sua rede Truth Social que a Coca-Cola havia “aceitado” usar açúcar de cana nos EUA, reforçando a narrativa de que decisões corporativas podem ser influenciadas por pressão política direta.
Segundo John Murphy, diretor financeiro da Coca-Cola, o lançamento será gradual. A limitação de açúcar de cana disponível nos Estados Unidos exige distribuição estratégica, evitando rupturas de estoque e garantindo que os primeiros consumidores recebam o produto em garrafas de vidro com o rótulo clássico.
Xarope de milho
O xarope de milho, adotado nos anos 1980 por ser mais barato e estável, passou a ser criticado por autoridades da administração Trump e especialistas em saúde.
Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde e Serviços Humanos na época, defendeu a substituição por açúcares naturais como parte do programa “Make America Healthy Again”.
Apesar da mudança, nutricionistas alertam que não há diferença significativa entre os dois adoçantes. Ambos contêm glicose e frutose em proporções similares, e o consumo excessivo pode provocar obesidade, diabetes e problemas cardíacos.
Para especialistas, a alteração é mais simbólica do que nutricional, reforçando a percepção de que a bebida estaria “mais natural”.
Um movimento global com repercussão local
A Coca-Cola já produzia versões com açúcar de cana em outros países e em algumas bebidas nos EUA, como chás gelados e cafés. A novidade, agora, combina marketing, política e nostalgia, explorando o apelo emocional do consumidor em busca de autenticidade e tradições.
O lançamento nos Estados Unidos mostra como decisões corporativas globais podem ser moldadas por fatores locais, política, cultura e percepção do consumidor.
Mais do que mudar a fórmula, a Coca-Cola ajusta seu storytelling, reforçando a imagem de uma marca que se adapta e atende aos desejos de seus consumidores, mesmo em um país onde a receita clássica parecia intocável.






