Nos últimos dias, uma informação alarmante ganhou força em sites e perfis nas redes sociais: o salmão, um dos peixes mais consumidos do mundo, estaria contaminado por mais de 70 parasitas e seria, supostamente, o alimento mais venenoso disponível para consumo humano.
A afirmação, com tom alarmista, gerou dúvidas legítimas entre consumidores, especialmente pela popularidade do peixe em dietas saudáveis. Diante disso, decidimos investigar a origem da declaração e se existe embasamento científico por trás dessa acusação.
Investigamos a origem do boato sobre os 70 parasitas no salmão
O que descobrimos é que essa polêmica não é nova e que existem críticas válidas ao modelo industrial de produção do salmão.
Contudo, a afirmação de que o peixe contém exatamente 70 parasitas ou que seja o alimento mais tóxico ou venenoso do mundo carece de base científica, pois nenhum estudo oficial e verificado confirmou isso.
Assim, a recomendação para os consumidores segue a mesma de outros casos: escolher fornecedores confiáveis, preferir produtos fiscalizados e manter uma alimentação variada.
Entenda a polêmica sobre parasitas no salmão
A origem mais atual da notícia divulgada em veículos brasileiros remonta a uma matéria publicada pelo jornal espanhol AS, que reforçou a ideia de que o salmão seria um perigo à saúde humana devido à presença maciça de parasitas, especialmente em exemplares de cativeiro.
A repercussão foi rápida: portais brasileiros replicaram a informação, e perfis em redes sociais amplificaram o conteúdo imediatamente, já que ele chama a atenção das pessoas.
No entanto, é necessário explicar que esse debate não é exatamente novo. A associação entre salmão de viveiro e riscos à saúde é discutida há pelo menos uma década.
A frase “o alimento mais tóxico do mundo” foi dita pela primeira vez em 2012 por Kurt Oddekalv, um ativista ambiental norueguês, em um documentário sobre a indústria da aquacultura chamado Filet Oh! Fish.
Em diversas publicações a palavra “tóxico” é substituída por “venenoso”, mas sempre atribuída ao ativista Kurt Oddekalv.
No filme, ele denuncia práticas insalubres nas fazendas de salmão e aponta o uso de pesticidas, antibióticos e a superpopulação dos tanques como fatores que facilitariam a proliferação de doenças e parasitas.
A partir desse documentário, a declaração passou a circular em diversos veículos internacionais, e foi repetida muitas vezes em entrevistas que ele concedeu a veículos importantes, como The Guardian e The New York Times.
Em sua crítica, Oddekalv afirmava que os viveiros de salmão mantêm milhões de peixes em espaços reduzidos, o que favoreceria o surgimento de parasitas como o piolho-do-mar, além de doenças fúngicas e bacterianas.
Embora esses problemas sejam reconhecidos por estudiosos e autoridades da área, não há, até o momento, nenhum estudo revisado por pares que quantifique em 70 o número de parasitas presentes no salmão, tampouco que o classifique como o alimento mais tóxico do mundo.
Salmão carrega parasitas, mas há fiscalizações, e autoridades dizem que peixe vendido nos mercados é seguro para o consumo humano
Do ponto de vista científico, o salmão, especialmente o de cativeiro, pode sim carregar parasitas. Os mais comuns são vermes intestinais em salmões selvagens e piolhos-do-mar em exemplares de viveiro.
No entanto, a presença de certos vermes é considerada parte natural do ecossistema marinho e, em alguns casos, um indicador de equilíbrio ambiental.
Já os parasitas associados a criações intensivas indicam falhas no manejo e exigem atenção sanitária, mas não são exclusivos do salmão e ocorrem em diversas espécies cultivadas.
Em relação à segurança alimentar, órgãos como o Conselho Norueguês das Pescas e agências de saúde dos Estados Unidos e da União Europeia afirmam que o salmão disponível no mercado é seguro para o consumo humano.
Eles reconhecem que pesticidas e antibióticos são utilizados, mas em níveis controlados e monitorados pelas autoridades.
Além disso, dados recentes indicam que o uso de antibióticos no salmão norueguês é mínimo e que os resíduos de produtos químicos geralmente permanecem abaixo dos limites permitidos por regulamentações internacionais.





