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Treino de resistência muda bactérias do intestino em apenas 8 semanas

Por Leticia Florenço
22/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Academia - Reprodução/Unsplash

Academia - Reprodução/Unsplash

Um estudo recente da Universidade de Tübingen, na Alemanha, revelou que levantar pesos apenas duas ou três vezes por semana pode gerar mudanças nas trilhões de bactérias que vivem no intestino humano.

A pesquisa, ainda não revisada por pares, indica que indivíduos sedentários que iniciaram treinos de resistência apresentaram alterações notáveis em seu microbioma em apenas oito semanas.

O intestino abriga uma comunidade complexa de microrganismos, incluindo bactérias, fungos e vírus. Essas criaturas microscópicas auxiliam na digestão de alimentos, permitindo que o corpo absorva mais nutrientes e vitaminas.

Algumas bactérias são consideradas “benéficas” por estarem associadas a pessoas fisicamente e mentalmente saudáveis, produzindo compostos que promovem o bem-estar.

Exercício como modulador do microbioma

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O estudo demonstrou que a composição do microbioma intestinal não é fixa. Além da alimentação, idade e qualidade do sono, o exercício físico pode alterar a diversidade e abundância das bactérias intestinais.

Pessoas que começaram a treinar resistência duas ou três vezes por semana durante oito semanas mostraram mudanças na comunidade microbiana intestinal.

Foram recrutadas 150 pessoas sedentárias, divididas entre treinos com pesos mais leves e mais repetições (15–20) ou pesos mais pesados e menos repetições (8–10). Os exercícios incluíram supino, abdominais, leg press, flexões de perna e treinos de costas, realizados em duas séries cada.

Amostras de fezes foram coletadas no início do programa, após quatro e oito semanas para monitorar alterações bacterianas.

Altos e baixos respondedores

Os participantes foram categorizados como “altos respondedores” (20% que aumentaram mais de 33% da força média) e “baixos respondedores” (20% que aumentaram menos de 12,2%).

O principal fator determinante foi a força inicial do indivíduo, mas os altos respondedores também apresentaram mudanças sutis, porém importantes, no microbioma intestinal que os outros não exibiram

Destaque para bactérias produtoras de butirato

Entre as alterações, duas bactérias chamaram atenção: Faecalibacterium e Roseburia hominis. Ambas produzem butirato, um ácido graxo de cadeia curta que fornece energia, mantém o revestimento intestinal saudável e ajuda a prevenir a entrada de bactérias nocivas na corrente sanguínea.

Estudos anteriores já indicavam que exercícios físicos aumentam a presença dessas bactérias.

Rotular bactérias como “boas” ou “más” é simplista. Durante o estudo, algumas bactérias associadas à boa saúde diminuíram, enquanto outras ligadas a problemas de saúde aumentaram. Cada microbioma é único, e a função das bactérias pode variar de pessoa para pessoa, dependendo da saúde geral e do contexto individual.

Causa ou efeito?

Não é possível afirmar com certeza se as mudanças bacterianas causaram o aumento de força ou vice-versa. Fatores como dieta, genética e hábitos de vida influenciam o microbioma.

Apesar dos participantes terem sido instruídos a manter sua alimentação, pequenas alterações nos hábitos alimentares podem ter contribuído tanto para o aumento de força quanto para as mudanças nas bactérias.

Mesmo sem comprovação de causa direta, o estudo reforça que o treino de resistência oferece benefícios claros à saúde física e mental. Incorporar exercícios regulares é uma estratégia comprovada para melhorar bem-estar, independentemente das mudanças no microbioma.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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