Quase todo mundo já enfrentou aquele par de sapatos cujo odor é impossível de ignorar. Em famílias com vários calçados e sapateiras cheias, o problema se multiplica, tornando-se um incômodo diário. Truques caseiros, como sachês de chá, bicarbonato ou sprays, muitas vezes não funcionam, e o constrangimento persiste.
Dois pesquisadores indianos, Vikash Kumar e seu ex-aluno Sarthak Mittal, decidiram estudar o problema de forma sistemática. Observando corredores universitários cheios de sapatos, perceberam que o verdadeiro problema não era a bagunça, mas sim o mau cheiro persistente.
Eles queriam entender como esse odor afetava a experiência de usar uma sapateira.
Identificando o culpado
A investigação mostrou que o responsável principal era a bactéria Kytococcus sedentarius, que aumentava em sapatos suados. Em experimentos com calçados usados por atletas universitários, a dupla descobriu que a concentração de bactérias era maior próximo aos dedos, explicando o cheiro intenso.
O método desenvolvido pelos pesquisadores consistia em aplicar luz UVC diretamente nos sapatos. Apenas 2 a 3 minutos de exposição eram suficientes para eliminar as bactérias e neutralizar o mau cheiro, sem danificar o material.
Exposições mais longas geravam calor excessivo, mostrando a necessidade de precisão no tempo de tratamento.
Um protótipo de sapateira revolucionário
A partir da pesquisa, nasceu um protótipo de sapateira equipada com lâmpada UVC, capaz de armazenar e esterilizar os sapatos simultaneamente. O objetivo não era apenas eliminar o odor, mas melhorar a experiência de uso, trazendo mais higiene e conforto para o dia a dia.
Embora a pesquisa não tenha tido repercussão imediata, o Prêmio Ig Nobel reconheceu a criatividade da descoberta.
Grande evento
O evento celebra estudos inusitados e bem-humorados que fazem refletir sobre a ciência de forma divertida. Kumar e Mittal se juntaram a vencedores de outras pesquisas excêntricas, como vacas pintadas para espantar moscas e lagartos que preferem pizza.
Graças à curiosidade e persistência de dois pesquisadores indianos, a ciência encontrou uma forma de tornar a convivência com nossos sapatos mais agradável, e ainda rendeu reconhecimento internacional.






