Um novo movimento internacional está chamando atenção ao convidar artistas e ouvintes a repensarem sua relação com o Spotify, maior plataforma de streaming musical do mundo.
A proposta não é simplesmente apagar o aplicativo dos celulares, mas provocar uma reflexão profunda sobre o modelo econômico e cultural adotado pela empresa, considerado por muitos como prejudicial à arte musical e à forma como nos relacionamos com ela.
É o fim do Spotify? Movimento está deixando app sem usuários
O movimento, batizado de “Death 2 Spotify”, teve início em Oakland, Califórnia, durante uma série de encontros que reuniram músicos independentes, DJs, donos de selos e profissionais da indústria.
É importante destacar que o nome polêmico não sugere o encerramento literal da plataforma, mas sim o desejo de encerrar práticas que, segundo os organizadores, desvalorizam o trabalho criativo e reduzem a música a um produto de consumo passivo, moldado por algoritmos.
No centro das críticas está o modelo de remuneração do Spotify, que paga frações de centavos por reprodução.
Para os envolvidos no movimento, isso cria um cenário insustentável para artistas, especialmente os independentes, ao mesmo tempo em que incentiva um consumo musical automatizado, onde o ouvinte deixa de fazer escolhas conscientes e se torna refém de sugestões algorítmicas.
O grupo defende uma reconexão entre criadores e público, livre da lógica industrial imposta pelas grandes plataformas. E apesar de surgir entre artistas alternativos, o descontentamento não é novo.
Ícones como Taylor Swift, Thom Yorke, Neil Young e Joni Mitchell já boicotaram o serviço em algum momento, seja por discordância com o modelo de negócios ou por críticas à direção da empresa e suas decisões políticas.
Movimento pede mudanças no Spotify
O movimento pede mudanças estruturais no serviço de streaming: maior transparência na divisão de receitas, remuneração mais justa aos músicos, e a promoção de formas mais humanas de descoberta musical, fora do alcance dos algoritmos.
Segundo os organizadores, isso beneficiaria também os usuários, que poderiam explorar a música com mais intenção, profundidade e diversidade.
Mais do que um boicote, o “Death 2 Spotify” é um chamado à consciência. Para seus participantes, a música não é um produto descartável. É arte, expressão e experiência. E se quisermos preservar isso, talvez seja hora de desligar o autoplay.






