O recente aumento de casos de intoxicação e mortes relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol acendeu um alerta na população brasileira.
Muitos começaram a se perguntar: será que bebidas como a cerveja, tradicionalmente consumidas nos finais de semana, também oferecem risco de contaminação? A resposta, embora tranquilizadora para os amantes da cerveja, merece atenção e esclarecimento detalhado.
Diferença entre fermentados e destilados
Segundo o professor Luís Andrade, do curso de Enfermagem da Estácio, o risco de intoxicação por metanol é significativamente maior em destilados do que em bebidas fermentadas. Isso acontece porque:
- Bebidas fermentadas (como cerveja e vinho comum) obtêm seu teor alcoólico através da fermentação natural de açúcares pelas leveduras.
- Destilados (como cachaça, whisky e vodka) passam por um processo de separação de frações chamado “cabeça, coração e cauda”.
- É justamente na fração descartada que substâncias tóxicas, como o metanol, são eliminadas. Quando esse procedimento não é corretamente executado, ou quando há adulteração criminosa, o risco aumenta.
Portanto, cervejas produzidas de maneira industrial e com fiscalização adequada raramente apresentam risco de metanol, ao contrário de destilados artesanais ou clandestinos.
Processos híbridos e riscos residuais
Existem bebidas que combinam fermentação e destilação, como o vinho do Porto. Nesses casos, o risco de presença de metanol não pode ser totalmente descartado, embora continue sendo menor que em destilados puros.
Consumidores dessas bebidas devem sempre optar por produtos certificados e de procedência conhecida.
Como o metanol age no organismo
A intoxicação por metanol pode não se manifestar imediatamente. Segundo especialistas:
- Os sintomas geralmente surgem 12 horas após a ingestão, mas podem variar de acordo com a quantidade consumida.
- Principais sinais de alerta: Visão turva, dor abdominal, náuseas, confusão mental e dificuldades respiratórias.
- No organismo, metanol e etanol competem pelos mesmos receptores, o que explica por que o etanol é utilizado como antídoto. Ele ocupa os receptores, reduzindo os efeitos tóxicos do metanol.
Tratamento e importância da rapidez
O sucesso do tratamento depende crucialmente da rapidez no atendimento médico. As medidas incluem:
- Administração de antídotos como o etanol.
- Hidratação intravenosa para ajudar na eliminação das toxinas.
- Em casos graves, hemodiálise para filtrar o sangue.
Estudos indicam que os melhores resultados acontecem quando o atendimento ocorre nas primeiras 12 a 24 horas após a ingestão da substância.
Para quem aprecia uma cerveja no final de semana, a boa notícia é que bebidas fermentadas industrializadas oferecem baixo risco de contaminação por metanol, desde que sejam adquiridas em estabelecimentos confiáveis.
A segurança do consumo depende não apenas da bebida, mas também da atenção aos sinais do corpo e da procura imediata por atendimento médico em caso de sintomas suspeitos.





