A morte de Odete Roitman, exibida em 6 de janeiro de 1989 na primeira versão de Vale Tudo, tornou-se um marco da teledramaturgia brasileira. O assassinato da vilã gerou uma das maiores expectativas do público, com a famosa pergunta ecoando em casas, ruas e cafés: “Quem matou Odete Roitman?”.
Durante semanas, a dúvida movimentou apostas, conversas e teorias entre os telespectadores, transformando a novela em um fenômeno nacional. A resposta definitiva só veio com o capítulo final, exibido em 9 de fevereiro de 1989, revelando que Leila (Cássia Kis) era a responsável pelo crime.
A trama que antecedeu o assassinato
Antes da cena fatal, Odete Roitman já havia se envolvido em intensos conflitos com diversos personagens, como Maria de Fátima (Gloria Pires), César (Carlos Alberto Riccelli) e Heleninha (Renata Sorrah).
Na narrativa original, Leila desenvolve uma crise de ciúmes intensa ao imaginar que seu marido, Marco Aurélio (Reginaldo Faria), teria um caso com Fátima. Essa desconfiança a leva a seguir Marco Aurélio até o apart hotel onde Odete confrontava o mesmo sobre desvios financeiros em sua empresa.
No local, Leila toma o revólver do marido e, ao perceber alguém atrás da porta, dispara, acreditando estar atingindo Fátima. Apenas após os tiros ela descobre que matou Odete. Esse desenrolar inesperado garantiu um impacto memorável e surpreendente ao público.
Mudanças no roteiro e suspense mantido
Gilberto Braga, autor da trama junto a Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, revelou que o assassinato não seria inicialmente cometido por Leila. A mudança ocorreu após o vazamento de parte do roteiro, levando à gravação de múltiplos finais.
Apenas os autores e uma equipe restrita sabiam qual versão seria exibida, mantendo o suspense absoluto até a transmissão.
A cena do crime
A sequência final mostra Odete chegando ao apartamento de Leila, em busca de informações sobre Maria de Fátima. Ao abrir a porta, depara-se com Leila armada. Após uma rápida troca de palavras, Leila dispara três vezes, e Odete cai morta no chão.
A cena, carregada de tensão, consolidou-se como um dos momentos mais icônicos da teledramaturgia nacional.
Mesmo no remake da novela, o público mostrou resistência à ideia da morte da vilã. Uma pesquisa Datafolha indicou que apenas 4% dos telespectadores desejavam que Odete fosse assassinada, enquanto 47% preferiam vê-la empobrecida e 35% presos.
Em 1988, 38% dos paulistanos queriam que a personagem morresse, demonstrando a mudança na percepção do público ao longo do tempo.
A novela tornou-se referência para discussões sobre ética e comportamento social, com personagens como Raquel Acioli (Taís Araújo) no remake oferecendo novas camadas de reflexão sobre desigualdade, racismo e recomeço.





