O Ministério da Saúde anunciou uma mudança na forma como o Brasil aborda o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Pela primeira vez, profissionais da atenção primária vão realizar testes de triagem de TEA em crianças com idade entre 16 e 30 meses, integrando essa avaliação à rotina de acompanhamento do desenvolvimento infantil.
A medida faz parte da nova linha de cuidado para TEA, lançada em 18 de setembro de 2025, que busca transformar a atenção à saúde infantil no país.
A importância da detecção precoce
Segundo o ministério, identificar sinais de autismo ainda nos primeiros anos de vida é fundamental para melhorar o desenvolvimento social e cognitivo das crianças.
A atuação precoce permite que intervenções, estímulos e terapias sejam aplicados antes mesmo do diagnóstico formal, contribuindo para maior autonomia e habilidades de interação futura.
O M-Chat como ferramenta de triagem
O teste de triagem utilizado, conhecido como M-Chat, já é capaz de identificar sinais de TEA em crianças pequenas. Disponível na Caderneta Digital da Criança e nos sistemas eletrônicos de saúde, ele permite que profissionais detectem precocemente potenciais sinais de autismo.
A partir daí, cada criança pode receber estímulos direcionados e terapias específicas, ajustadas às necessidades individuais.
A linha de cuidado para TEA define uma rede integrada, desde a atenção primária até serviços especializados, incluindo Centros Especializados em Reabilitação (CER) e serviços de saúde mental.
O objetivo é criar fluxos de encaminhamento, garantindo que cada criança receba o suporte adequado e contínuo, especialmente se houver comorbidades ou sofrimento psíquico.
Projeto Terapêutico Singular
Outra novidade é o fortalecimento do Projeto Terapêutico Singular (PTS), que promove planos de tratamento individualizados.
Construídos em parceria entre equipes multiprofissionais e famílias, esses planos permitem que cada criança receba atenção personalizada, com estímulos, terapias e acompanhamento adaptados às suas necessidades específicas.
O ministério também reforça a centralidade das famílias no desenvolvimento infantil. A nova linha de cuidado inclui orientação parental, grupos de apoio e capacitação de profissionais para que práticas no ambiente domiciliar complementem o trabalho das equipes de saúde.
Essas ações buscam reduzir a sobrecarga familiar e fortalecer vínculos afetivos, reconhecendo o papel crucial dos cuidadores no processo de crescimento e desenvolvimento da criança.
Impacto social
Com estimativa de que 1% da população brasileira viva com TEA e 71% desses indivíduos apresentando outras deficiências, a nova linha de cuidado representa um avanço importante na integração de serviços pelo SUS.
A abordagem precoce e estruturada não apenas melhora o prognóstico das crianças, mas também oferece suporte concreto às famílias, fortalecendo redes de cuidado e prevenindo o isolamento social.
Próximos passos e implementação
A atualização do Guia de Intervenção Precoce e a implementação de programas de treinamento de habilidades para cuidadores, alinhados com recomendações da OMS, reforçam a perspectiva de um sistema de saúde mais eficiente e humanizado.
A expectativa é que essas ações transformem a realidade de crianças com TEA no Brasil, promovendo desenvolvimento saudável, inclusão e maior qualidade de vida desde os primeiros anos.






