Em 2024, o Brasil alcançou a menor taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) registrada desde 2012, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. Durante o ano, foram contabilizados 44.127 casos, correspondentes a 20,8 mortes por 100 mil habitantes, representando uma redução de 5,4% em relação a 2023.
Apesar da diminuição no índice geral, a violência continua concentrada nos estados das regiões Norte e Nordeste, que registram os números mais elevados do país. De acordo com o estudo coordenado por Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, o Nordeste apresentou uma média de 33,8 mortes por 100 mil habitantes, enquanto o Norte registrou 27,7.
Estados mais perigosos
No ranking dos estados com maior índice de Mortes Violentas Intencionais, o Amapá ocupa o primeiro lugar, com 45,1 mortes por 100 mil habitantes, seguido por Bahia (40,6), Ceará (37,5), Pernambuco (36,2) e Alagoas (35,4). Em contraste, estados do Centro-Sul, como São Paulo (11,2) e Santa Catarina (8,7), apresentam taxas quase três vezes menores, evidenciando a concentração da violência nas regiões Norte e Nordeste. Entre os dez estados mais impactados, figuram ainda Maranhão (27,8), Mato Grosso (27,0), Pará (25,8), Amazonas (23,7) e Rondônia (21,7).
O levantamento também aponta os municípios com as maiores taxas de violência letal, destacando que todas as dez cidades mais perigosas estão situadas no Nordeste, região marcada por conflitos entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas.
Maranguape (CE) lidera o ranking com 79,9 mortes por 100 mil habitantes, seguida por Jequié (BA), com 77,6, Juazeiro (BA), com 76,2, Camaçari (BA), com 74,8, e Cabo de Santo Agostinho (PE), com 73,3. A Bahia concentra metade das cidades presentes entre as dez mais violentas, evidenciando a intensidade e a persistência da violência na região.
Análise regional
Apesar da redução observada nos índices nacionais, o cenário regional evidencia desigualdades marcantes. As regiões Norte e Nordeste continuam a registrar desafios mais intensos relacionados à violência letal, enquanto Sul e Sudeste apresentam taxas relativamente baixas, apontando para uma distribuição desigual do problema no país.
O Centro-Oeste, com taxa de 22,9 mortes por 100 mil habitantes, situa-se em níveis intermediários, reforçando a necessidade de políticas públicas direcionadas e estratégias específicas para prevenção e combate à criminalidade nas áreas mais afetadas.






