O que parecia ser apenas mais uma carreira de sucesso tomou um rumo inesperado quando, em 2024, veio à tona a denúncia de má conduta sexual envolvendo uma adolescente de 17 anos.
O caso se refere ao período entre 2016 e 2017, quando Kerry atuava como treinador nos Estados Unidos. Segundo os documentos da investigação, houve consumo de álcool fornecido pelo patinador e relações sexuais recorrentes com a jovem.
Após apuração, a entidade SafeSport decidiu bani-lo permanentemente de qualquer atividade esportiva nos Estados Unidos. O relatório oficial destacou “má conduta sexual envolvendo menor”, o que comprometeu de forma definitiva sua reputação e encerrou suas possibilidades de trabalhar em território norte-americano.

A defesa do atleta
Apesar de ter admitido as relações, Kerry negou ser considerado pedófilo. Sua equipe jurídica destacou que, em New South Wales, sua cidade natal na Austrália, a idade de consentimento sexual é de 16 anos, argumento usado para relativizar a acusação.
Além disso, ele afirmou não ter conhecimento da idade exata da adolescente na época, versão que não foi aceita pela entidade responsável pelo julgamento esportivo.
Consequências imediatas
O impacto da decisão foi imediato. Mesmo que a suspensão valha apenas nos Estados Unidos, Kerry renunciou ao cargo de treinador no Macquarie Ice Rink, em Sydney.
O Comitê Olímpico Australiano e a Federação Australiana de Patinação afirmaram que só tiveram ciência do caso quando a punição já estava publicada, em maio de 2024, o que também gerou questionamentos sobre a transparência do processo.
A reação do próprio Kerry
Em comunicado oficial, o patinador alegou surpresa ao receber a decisão após anos sem retorno da investigação. Declarou que pretendia recorrer por meio de arbitragem independente, insistindo que as acusações não correspondiam à realidade.
Ainda assim, a medida já havia causado estragos irreversíveis à sua imagem pública.
A adolescente envolvida decidiu não registrar queixa criminal em 2021, o que impediu que o caso avançasse para a esfera judicial. Dessa forma, toda a responsabilização ficou restrita ao cenário esportivo e administrativo, sem que houvesse julgamento em tribunal.
O fim de uma carreira
Mesmo antes do escândalo, Kerry já havia encerrado sua carreira como atleta competitivo após os Jogos de Inverno de 2022, quando terminou em 17º lugar no individual masculino.
Porém, a polêmica sepultou qualquer chance de continuar atuando como treinador e referência internacional na patinação artística.






