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Homem que mudou de gênero vai se aposentar muito antes

Por Leticia Florenço
11/09/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Aposentadoria - Reprodução

Aposentadoria - Reprodução

Em Salta, Argentina, um funcionário público de 59 anos virou o centro de um debate de gênero, direitos civis e aposentadoria.

Sergia Lazarovich, até então conhecido como homem cisgênero, mudou legalmente seu gênero para feminino pouco antes de completar 60 anos, exatamente a idade mínima em que mulheres podem se aposentar no país.

A decisão, embora apresentada como expressão de identidade pessoal, levantou suspeitas de que a motivação real estivesse ligada ao calendário previdenciário.

A Lei de Identidade de Gênero, promulgada em 2012, é reconhecida mundialmente por proteger a autodeterminação, sem exigir cirurgias ou tratamentos médicos.

Vida antes da mudança

Colegas e familiares lembram de um homem que vivia sua rotina sem questionamentos sobre identidade: casado, pai, mantendo relacionamentos com mulheres. Não havia indícios prévios de transição, o que fez a mudança parecer estratégica para alguns e legítima para outros.

Entre declarações contraditórias, Lazarovich disse que se mudou por convicção, mas também comentou que a aposentadoria seria irrelevante se todos se aposentassem aos 65. A frase ecoou como um lembrete da tensão entre política de gênero e benefícios sociais.

O debate que ultrapassa a lei

Especialistas alertam que usar a lei de forma oportunista não é ilegal, mas levanta questões éticas importantes.

Juristas afirmam que a proteção legal às pessoas trans não deve ser fragilizada por casos isolados de aproveitamento, mas a sociedade se vê diante de dilemas complexos sobre igualdade, justiça e planejamento previdenciário.

Reflexões sobre desigualdade e política

O caso de Lazarovich expõe uma contradição do sistema: enquanto os homens trabalham até os 65, mulheres recebem aposentadoria cinco anos antes, em tentativa de compensar desigualdades históricas.

Quando alguém “dribla” esse sistema, mesmo legalmente, evidencia as falhas e provoca debates sobre como a previdência lida com gênero, equidade e motivação individual.

O futuro de Sergia

Hoje, aos 66 anos, Sergia Lazarovich poderia usufruir da aposentadoria sem polêmicas, mas seu caso permanece um exemplo vivo de controvérsia ética.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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