No Itaú Unibanco, o trabalho remoto que antes era símbolo de liberdade e flexibilidade virou motivo de demissão. Cerca de mil funcionários, segundo estimativas do sindicato, foram desligados após o banco revisar produtividade digital e registros de jornada.
Relatórios internos apontaram períodos de inatividade de até quatro horas. Para o banco, eram sinais de descumprimento de contrato; para os funcionários, eram momentos de pausa, ajustes técnicos, problemas de conexão ou simplesmente a complexidade do trabalho remoto, ignorada no papel.
O Itaú reforça que os cortes visam preservar a confiança corporativa, mas a sensação entre os desligados é de desconfiança institucional sobre pessoas que dedicaram anos de suas vidas à empresa.
Sem aviso, sem diálogo
A surpresa foi total. Os funcionários receberam a notícia sem advertência ou feedback. O sindicato classificou a ação como desrespeitosa e autoritária, lembrando que nem todas as nuances do home office podem ser mensuradas por softwares de monitoramento
Maikon Azzi, diretor do sindicato, destaca: “Critérios que não consideram saúde, sobrecarga ou falhas técnicas são frios e injustos.”
O alerta para o setor
O episódio não se restringe ao Itaú. Bancos em todo o país testam monitoramento remoto e cortes estratégicos, revelando que a era digital trouxe produtividade mensurável, mas pouca empatia.
Entre métricas, softwares e relatórios, há pessoas com histórias, desafios e contextos que não cabem em números. O trabalho remoto, tão celebrado, ainda guarda armadilhas invisíveis.





