A recente aprovação da emenda sobre voto impresso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, por 14 votos a 12, reacendeu o debate sobre o sistema eleitoral brasileiro.
Se confirmada pelo plenário, a proposta retornará à Câmara dos Deputados para análise das alterações feitas pelos senadores. Somente após essa tramitação, a reforma eleitoral poderá seguir para sanção ou veto presidencial.
No entanto, o prazo é curto: mudanças nas regras eleitorais só valem se aprovadas até 3 de outubro de 2025.
Especialistas apontam baixa viabilidade
Diversos analistas destacam que a implementação do voto impresso nas eleições de 2026 enfrenta obstáculos práticos e políticos.
O professor Fernando Neisser, da FGV-SP, classifica a iniciativa como um “requentamento de pauta”, apontando limitações orçamentárias e logísticas.
Guilherme Barcelos, especialista em direito eleitoral, reforça a impossibilidade de execução em curto prazo, citando a falta de apoio político e de tempo para adaptação operacional.
Histórico de tentativas frustradas
Não é a primeira vez que o voto impresso é debatido. Em 2021, uma PEC sobre o tema não alcançou os 308 votos necessários na Câmara, contando apenas com 229 apoios, principalmente de parlamentares bolsonaristas.
Além disso, o STF já se manifestou contra a medida em 2013 e 2020, argumentando que o sistema comprometeria o sigilo e a liberdade do eleitor.
Como funcionaria o voto impresso
A proposta aprovada prevê que a urna eletrônica imprima automaticamente cada voto registrado, depositando o comprovante em uma urna física lacrada, sem contato manual do eleitor.
A intenção é criar uma camada adicional de auditoria, permitindo conferência em caso de questionamentos sobre o resultado oficial.
Risco de judicialização
Mesmo que o Senado confirme a proposta, especialistas preveem forte judicialização. O Supremo pode ser acionado novamente, considerando precedentes que classificam o voto impresso como violação de princípios constitucionais.
Além do desafio jurídico, a implementação exigiria adaptação de mais de 500 mil urnas, investimento financeiro elevado e elaboração de novos procedimentos de apuração.
Com o prazo apertado e as complexidades jurídicas e operacionais, a probabilidade de sua adoção nas eleições de 2026 é considerada baixa por especialistas.





