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Voto impresso ou digital? Como serão as eleições de 2026?

Por Leticia Florenço
22/08/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Eleições - Reprodução/iStock

Eleições - Reprodução/iStock

A recente aprovação da emenda sobre voto impresso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, por 14 votos a 12, reacendeu o debate sobre o sistema eleitoral brasileiro.

Se confirmada pelo plenário, a proposta retornará à Câmara dos Deputados para análise das alterações feitas pelos senadores. Somente após essa tramitação, a reforma eleitoral poderá seguir para sanção ou veto presidencial.

No entanto, o prazo é curto: mudanças nas regras eleitorais só valem se aprovadas até 3 de outubro de 2025.

Especialistas apontam baixa viabilidade

Diversos analistas destacam que a implementação do voto impresso nas eleições de 2026 enfrenta obstáculos práticos e políticos.

O professor Fernando Neisser, da FGV-SP, classifica a iniciativa como um “requentamento de pauta”, apontando limitações orçamentárias e logísticas.

Guilherme Barcelos, especialista em direito eleitoral, reforça a impossibilidade de execução em curto prazo, citando a falta de apoio político e de tempo para adaptação operacional.

Histórico de tentativas frustradas

Não é a primeira vez que o voto impresso é debatido. Em 2021, uma PEC sobre o tema não alcançou os 308 votos necessários na Câmara, contando apenas com 229 apoios, principalmente de parlamentares bolsonaristas.

Além disso, o STF já se manifestou contra a medida em 2013 e 2020, argumentando que o sistema comprometeria o sigilo e a liberdade do eleitor.

Como funcionaria o voto impresso

A proposta aprovada prevê que a urna eletrônica imprima automaticamente cada voto registrado, depositando o comprovante em uma urna física lacrada, sem contato manual do eleitor.

A intenção é criar uma camada adicional de auditoria, permitindo conferência em caso de questionamentos sobre o resultado oficial.

Risco de judicialização

Mesmo que o Senado confirme a proposta, especialistas preveem forte judicialização. O Supremo pode ser acionado novamente, considerando precedentes que classificam o voto impresso como violação de princípios constitucionais.

Além do desafio jurídico, a implementação exigiria adaptação de mais de 500 mil urnas, investimento financeiro elevado e elaboração de novos procedimentos de apuração.

Com o prazo apertado e as complexidades jurídicas e operacionais, a probabilidade de sua adoção nas eleições de 2026 é considerada baixa por especialistas.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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