Os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e do Ministério do Desenvolvimento Social, divulgados em julho de 2025, revelam um retrato preocupante sobre a relação entre empregos formais e beneficiários do Bolsa Família no Brasil.
Em alguns estados, o número de famílias que dependem do programa social ultrapassa a quantidade de trabalhadores com carteira assinada, evidenciando a desigualdade regional e os desafios na geração de emprego.
O Maranhão é o estado com maior desequilíbrio entre empregos formais e famílias atendidas pelo Bolsa Família. São 1.197.658 beneficiários contra 676.028 trabalhadores registrados, o que resulta em uma diferença de 521,6 mil pessoas a mais recebendo o benefício.
Na proporção, o estado apresenta 1,77 beneficiário para cada trabalhador formal, número que, embora ainda alto, mostra leve melhora em relação ao ano anterior, quando a taxa era de 1,87.
Pará ultrapassa 300 mil beneficiários a mais
O Pará aparece na segunda posição, com destaque por apresentar uma diferença que ultrapassa a marca dos 300 mil.
Atualmente, o estado tem 1.305.816 famílias cadastradas no programa social, enquanto conta com 1.011.109 empregos formais, resultando em 294,7 mil pessoas a mais recebendo o benefício do que trabalhando com carteira assinada.
O dado revela a forte dependência do programa social na região Norte.
Nordeste concentra os maiores índices
Seis estados do Nordeste estão entre os que possuem mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores formais.
Além do Maranhão e da Bahia, que aparece com uma diferença de 185,3 mil pessoas, também figuram na lista o Piauí (193,5 mil), a Paraíba (119,7 mil), Alagoas (61,7 mil) e Sergipe (16,6 mil).
O levantamento reforça a dificuldade de expansão do mercado de trabalho formal em boa parte da região.
Região Norte também apresenta forte dependência
A realidade não é diferente em outros estados da Região Norte. Além do Pará, aparecem na lista o Amazonas, com uma diferença de 61,5 mil, o Amapá, com 21,9 mil, e o Acre, com 15,4 mil.
No total, quatro estados nortistas estão entre os dez mais dependentes do programa, o que evidencia a fragilidade da geração de empregos nessas localidades.
Sul e Sudeste mostram cenário oposto
Enquanto Norte e Nordeste apresentam altos índices de dependência, o Sul e o Sudeste seguem em direção contrária. O estado de São Paulo lidera o ranking positivo, com 12,3 milhões de empregos formais a mais do que famílias no Bolsa Família.
Em seguida aparecem Minas Gerais, com saldo de 3,57 milhões, e estados como Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Na proporção, o destaque fica para Santa Catarina, que registra 12 empregos formais para cada beneficiário do programa.
Evolução dos indicadores ao longo dos anos
Apesar dos números preocupantes, os dados mostram melhora gradual. Em janeiro de 2023, 13 estados tinham mais beneficiários do que empregados formais. Em julho de 2024, o número caiu para 12 e, em julho de 2025, são 10 unidades da Federação nessa condição.
Um dos principais fatores apontados por especialistas é a Regra de Proteção, criada em 2023, que permite que famílias que aumentam a renda para até R$ 706 por pessoa continuem recebendo metade do benefício por até um ano.
Em julho de 2025, 2,7 milhões de famílias estavam incluídas nesse mecanismo de transição, sinalizando avanço na inserção produtiva.





