Um levantamento recente trouxe um dado preocupante que acendeu o alerta entre empresários e especialistas: o número de empresas que decretaram falência após passarem por processos de recuperação judicial bateu recorde no segundo trimestre deste ano.
Isso ocorre apesar de a economia brasileira ter apresentado sinais positivos nos últimos meses, com inflação sob controle, leve retomada do emprego e crescimento do consumo.
A situação, revelada por um monitoramento exclusivo, surpreendeu até os mais otimistas e gerou receio quanto à real saúde do setor produtivo nacional.
Recorde de falências nas empresas causa terror nos brasileiros
O estudo em questão é o Monitor RGF, realizado pela consultoria RGF & Associados, que acompanha a evolução de empresas em recuperação judicial desde abril de 2023.
De acordo com os dados mais recentes, das 147 companhias que encerraram seus processos de recuperação judicial entre abril e junho, 43 não conseguiram se manter de pé e acabaram falindo, um índice de quase 30%, o mais alto desde o início da série histórica.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na Lei nº 11.101/2005, que permite que empresas com dificuldades financeiras solicitem ao Judiciário um plano de reestruturação, buscando tempo e condições para renegociar dívidas e evitar a falência.
No entanto, na prática, o que se tem observado é que muitas companhias não conseguem cumprir os planos aprovados, seja por falta de disciplina na execução, seja por condições econômicas adversas, como os juros elevados.
Motivos apontados para o recorde de falências após recuperação judicial e possíveis soluções
Segundo especialistas, a taxa básica de juros, a Selic, que se manteve alta para conter a inflação, também encareceu o crédito e comprometeu o caixa das empresas em recuperação.
A dificuldade de acessar financiamento e a desconfiança dos credores em momentos de instabilidade intensificam ainda mais a crise de empresas já fragilizadas. Em muitos casos, a recuperação judicial acaba apenas postergando uma falência inevitável.
O cenário lança luz sobre a necessidade de mudanças. Para os analistas, é fundamental que os planos de recuperação sejam mais realistas e que o acompanhamento da execução receba maior atenção.
Além disso, o aumento nas falências pode servir como ponto de partida para que o governo e o setor financeiro debatam políticas de apoio mais eficazes, com foco na prevenção da insolvência e no fortalecimento da estrutura das empresas antes que cheguem ao ponto crítico.






