Ter a carteira de trabalho assinada ainda é, para muitos, sinônimo de estabilidade e segurança. O regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) garante uma série de direitos que não se aplicam a trabalhadores informais ou autônomos, como férias remuneradas, 13º salário e proteção contra demissão sem justa causa.
Apesar disso, o cenário atual mostra que esse modelo vem sendo rejeitado por boa parte da população, em parte devido a incompreensão da importância da proteção que o regime CLT oferece aos trabalhadores em relação ao poder econômico exercido por empregadores.
Ainda assim, para quem mantém o vínculo formal, 2025 trouxe novidades: cinco benefícios foram incorporados ou aperfeiçoados na legislação, ampliando garantias e flexibilidades para empregados em todo o país.
5 benefícios extras de quem tem carteira assinada
Uma das mudanças mais significativas que passaram a valer recentemente para quem trabalha com a carteira de trabalho assinada no regime CLT está na regulamentação do teletrabalho.
Agora, as empresas devem formalizar por escrito todas as condições dessa modalidade, detalhando funções, fornecimento de equipamentos e responsabilidades sobre saúde e segurança no home office. Isso traz clareza e reduz conflitos, atendendo a uma realidade que ganhou força nos últimos anos.
Outra novidade é a regra de equiparação salarial. A lei passa a determinar critérios mais precisos para que trabalhadores na mesma função e no mesmo local recebam remuneração equivalente, desde que possuam tempo de serviço semelhante. A medida busca combater disparidades salariais e reforçar a igualdade de tratamento dentro das empresas.
O trabalho intermitente também foi reconhecido de forma mais ampla. Nesse formato, o profissional é convocado conforme a necessidade do empregador, recebendo de forma proporcional às horas ou dias trabalhados, mas preservando direitos como FGTS e 13º salário. É uma alternativa que combina flexibilidade e proteção jurídica.
O fracionamento das férias para quem trabalha com carteira assinada também ganhou mais clareza: elas podem ser divididas em até três períodos, com a exigência de que um deles tenha no mínimo 14 dias consecutivos.
Além disso, permanece a possibilidade de converter parte dos dias de descanso em pagamento adicional, permitindo ao trabalhador mais autonomia sobre o uso de seu tempo e de seus recursos.
Por fim, o banco de horas foi simplificado. Agora, empregado e empregador podem negociar diretamente a compensação de horas dentro de um prazo de até seis meses, sem a necessidade de acordos coletivos, tornando a rotina mais adaptável.
Pesquisa revela que maior parte dos brasileiros preferem trabalho sem carteira assinada
Apesar dessas melhorias, uma pesquisa recente do Datafolha revelou que 59% dos brasileiros preferem não trabalhar sob o regime CLT. Entre os motivos estão o desejo de maior autonomia e, em muitos casos, a busca por rendimentos mais altos fora do vínculo formal.
A pesquisa também mostrou que a renda influencia a preferência: entre quem ganha até dois salários mínimos, 72% ainda valorizam a carteira assinada, enquanto nos que recebem acima de dez salários mínimos, a adesão cai para 56%.
O levantamento ainda aponta diferenças por idade e perfil político, evidenciando que a relação do brasileiro com a CLT está em transformação, mesmo diante de novos benefícios.






