No último final de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou sua conta na rede social Truth Social para anunciar que pretende retirar todos os moradores de rua de Washington D.C., enviando-os para abrigos em locais afastados da cidade.
A declaração veio acompanhada de imagens de barracas e ruas da capital com lixo espalhado, e foi justificada pelo republicano como parte de um esforço para “tornar a capital mais segura e bonita do que nunca”.
A proposta, no entanto, gerou críticas imediatas de autoridades locais e especialistas, que apontaram possíveis abusos legais e falta de embasamento nas alegações do presidente.
Trump quer remover moradores de rua para longe da capital
Na manhã desta segunda-feira, 11 de agosto, Trump deu um passo além: anunciou formalmente uma intervenção federal na segurança de Washington D.C. A medida inclui o envio de cerca de 800 integrantes da Guarda Nacional e a assunção de controle sobre a polícia local.
Segundo ele, a cidade vive uma “emergência de segurança” marcada por altos índices de violência, o que exigiria uma ação direta do governo federal.
O presidente afirmou que pretende combater tanto o crime quanto a presença de pessoas em situação de rua, a quem prometeu oferecer abrigos, mas “longe” do centro político do país.
O plano começou a ser delineado no domingo, quando Trump declarou que os sem-teto deveriam “se mudar imediatamente” e que os “criminosos” seriam presos.
Ele reforçou que Washington deveria ser “um dos lugares mais seguros e bonitos do mundo” e acusou a “esquerda radical” de ter permitido a degradação da cidade. A promessa era de detalhes adicionais em coletiva de imprensa, que acabou ocorrendo no dia seguinte (hoje), na Casa Branca.
Lá, Trump confirmou que a intervenção será feita com base na Lei de Autogoverno (Homerule Act), dispositivo federal que autoriza o presidente a convocar a Guarda Nacional em situações específicas, como ameaças à autoridade do governo ou dificuldades para executar as leis federais.
Alegações de Trump ignoram dados oficiais sobre criminalidade em Washington
Apesar do tom de urgência usado por Trump, os dados oficiais contradizem sua narrativa. Informações do Departamento de Polícia Metropolitana indicam que a criminalidade violenta caiu 26% nos primeiros sete meses de 2025 em relação ao ano anterior, e que o índice geral de crimes recuou cerca de 7%.
Em 2024, a cidade registrou o menor nível de delitos em três décadas. A prefeita de Washington D.C., Muriel Bowser, reforçou que não há uma escalada de violência e classificou a intervenção como desnecessária e politicamente motivada.
Críticos também levantam dúvidas sobre o alcance legal das medidas. Embora o governo federal tenha jurisdição sobre prédios e terrenos de sua propriedade no Distrito de Colúmbia, a remoção forçada de moradores de rua de áreas sob administração local exigiria respaldo jurídico mais robusto.
Para alguns analistas, a ação se encaixa mais em uma tentativa de controle político sobre um território governado por uma democrata do que em uma resposta proporcional a um problema de segurança.





