A política tarifária recém-adotada pelos Estados Unidos, que estabelece sobretaxas sobre produtos importados, segue impactando de forma significativa a Região Sul do Brasil, mesmo após a liberação de uma lista com cerca de 700 itens isentos. Os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul figuram entre os mais afetados, atrás apenas de São Paulo.
Com início previsto para o dia 6, a nova taxação já provoca efeitos relevantes, de acordo com dados das federações industriais da região. Empresas exportadoras relatam queda no faturamento, redução nas encomendas e dificuldades na preservação dos empregos.
Região afetada
- Santa Catarina: Maioria das exportadoras prevê queda na receita. Mais da metade estima perdas superiores a 30%. A maior parte já registra retração nas encomendas dos EUA. Mais de 70% das indústrias preveem demissões.
- Paraná: Setor madeireiro é o mais impactado. Mais de 98% da produção do setor é exportada para os EUA. Em 2024, o estado exportou US$ 1,58 bilhão.
- Rio Grande do Sul: Cerca de 86% das exportações industriais devem ser afetadas. Expectativa de eliminação de até 20 mil postos de trabalho.
Reação ao tarifaço
Diante desse cenário, as federações da indústria dos três estados adotam medidas emergenciais para amenizar os prejuízos. As propostas envolvem incentivos fiscais, ampliação do crédito, aceleração dos ressarcimentos tributários e flexibilizações trabalhistas. A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), por exemplo, negocia com o governo federal a criação de linhas de financiamento com juros reduzidos, semelhantes às aplicadas durante a pandemia.
Ao mesmo tempo, indústrias da região já iniciam estratégias para diversificar mercados e diminuir a dependência dos Estados Unidos. Apesar da ameaça à atividade industrial e ao emprego, as entidades empresariais reforçam que o diálogo e a negociação são caminhos essenciais para conter os efeitos econômicos da nova tarifa.






