Uma pesquisa recente trouxe à tona uma transformação global silenciosa, mas de grandes proporções: enquanto as plantas terrestres estão capturando mais carbono do que nunca, as algas marinhas, por outro lado, estão perdendo força em sua capacidade de realizar fotossíntese.
O contraste entre esses dois grupos de organismos, ambos essenciais para a sustentação da vida na Terra, foi revelado por um estudo abrangente publicado na revista Nature Climate Change, que analisou dados de satélites coletados ao longo de 18 anos.
Estudo revela virada global causada por plantas
Conduzido por cientistas da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, o estudo avaliou informações de seis satélites que monitoraram a produção primária líquida (PPL), o saldo entre o carbono capturado pela fotossíntese e o liberado pela respiração celular.
Esse indicador é fundamental para entender quanta energia está disponível nos ecossistemas para sustentar a cadeia alimentar.
Os dados, que cobrem o período de 2003 a 2021, apontam para uma expansão considerável da atividade fotossintética em plantas de regiões temperadas e boreais, especialmente nas latitudes mais próximas aos polos.
Já no ambiente marinho, a situação foi inversa: a produtividade das algas sofreu uma queda contínua, com impactos mais severos nos oceanos tropicais e subtropicais.
Os pesquisadores explicam que o aquecimento global é o principal fator por trás dessa dinâmica oposta. Nas áreas terrestres de clima mais frio, o aumento das temperaturas alongou as estações de crescimento, favorecendo as plantas ao criar condições climáticas mais amenas e úmidas.
Nos oceanos, entretanto, o calor extra aqueceu a superfície das águas, bloqueando a circulação de nutrientes que vêm das profundezas e são vitais para a sobrevivência das algas.
Fenômenos climáticos como El Niño e La Niña também tiveram um papel relevante, afetando mais intensamente os mares do que os ecossistemas em terra firme.
Estudo sobre fotossíntese de plantas revela alerta
O estudo alerta que, embora o aumento da fotossíntese em plantas terrestres esteja, por enquanto, compensando a perda de produtividade nos oceanos, essa balança é frágil.
Regiões tropicais já mostram sinais de estagnação, o que pode comprometer a biodiversidade e até mesmo a atividade econômica que depende da saúde desses ecossistemas.
Os cientistas enfatizam que o monitoramento contínuo da produção primária global é essencial para entender os desdobramentos dessa virada e orientar políticas eficazes de mitigação das mudanças climáticas.






