O túnel submerso que ligará Santos e Guarujá, no litoral paulista, será o primeiro do tipo a ser construído no Brasil. Com 870 metros de extensão, o projeto adotará a técnica de túnel imerso, que consiste na colocação de módulos de concreto pré-fabricados diretamente sobre o leito marinho.
A iniciativa representa um marco para a engenharia nacional, ao empregar uma metodologia amplamente utilizada em obras internacionais e reconhecida por sua eficiência construtiva e menor impacto ambiental. Diferentemente dos túneis escavados, como o Eurotúnel que liga o Reino Unido à França sob o Canal da Mancha, o túnel imerso segue um princípio de execução distinto.
Túnel brasileiro
Diferente dos métodos que exigem escavações profundas e o uso de tuneladoras, a técnica do túnel imerso se baseia na produção de grandes blocos de concreto em terra firme. Esses módulos são depois conduzidos por flutuação até o ponto exato de instalação, onde são posicionados em uma vala previamente escavada no leito marinho ou fluvial, conectados entre si e cobertos, assegurando vedação e estabilidade da estrutura.
No caso brasileiro, o túnel que ligará Santos a Guarujá será composto por seis módulos de concreto pré-moldado, fabricados em uma doca seca. Após finalizados, os blocos passarão por testes de vedação antes de serem levados até o local definitivo de instalação. A obra, orçada em R$ 6 bilhões, será realizada por meio de uma parceria entre os governos federal e estadual, sob responsabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos.
Obra da Europa
Na Europa, um empreendimento ainda mais grandioso está em andamento: trata-se do túnel que ligará a Dinamarca à Alemanha, projetado para ser o maior túnel imerso já construído, com 18 quilômetros de extensão.
A construção envolverá o uso de 79 módulos de concreto, cada um medindo 217 metros de comprimento, 42 metros de largura e 9 metros de altura, com peso estimado em 73 mil toneladas — equivalente a dez estruturas do porte da Torre Eiffel.
A instalação dos blocos será realizada a 40 metros de profundidade no Mar Báltico, com previsão de término para 2029. Para viabilizar a execução do projeto, foi erguida uma unidade industrial dedicada em Rødbyhavn, na Dinamarca, ocupando uma área de 220 hectares.






