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Previsão de terremoto no Japão causou onda de cancelamentos de viagens

Por Leticia Florenço
30/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Terremoto - Reprodução/iStock

Terremoto - Reprodução/iStock

Tudo começou com o relançamento do mangá “O Futuro que Eu Vi”, da artista japonesa Ryo Tatsuki.

Conhecida por relatar sonhos premonitórios em sua obra, Tatsuki afirmou que no dia 5 de julho de 2025 ocorreria um grande terremoto seguido por um tsunami devastador, afetando regiões entre o Japão e as Filipinas.

Essa afirmação, embora nunca tenha sido validada cientificamente, provocou uma reação intensa nas redes sociais, especialmente em países do Leste Asiático.

Uma “profecia” que revive traumas reais

A inquietação não surgiu do nada. A artista ganhou notoriedade após ter “previsto”, anos antes, o terremoto de Tohoku, em março de 2011, desastre que matou mais de 15 mil pessoas e causou o acidente nuclear de Fukushima.

A suposta coincidência alimentou uma aura mística em torno de Tatsuki, amplificada por outras previsões atribuídas a ela, como a morte da princesa Diana, a de Freddie Mercury e até a pandemia de Covid-19.

Cancelamentos em massa no turismo

Apesar de autoridades científicas desmentirem qualquer possibilidade de previsão de terremotos com precisão, o medo se espalhou rapidamente. Agências de turismo como a WWPKG, em Hong Kong, registraram uma queda de até 50% nas reservas para o Japão, especialmente durante o feriado da Páscoa.

Os principais cancelamentos vieram da China continental, de Hong Kong, da Tailândia e do Vietnã, mas o nervosismo também foi percebido em outras regiões. Muitos turistas simplesmente decidiram adiar ou cancelar suas viagens, mesmo que já estivessem planejadas há meses.

O alcance da “previsão” foi intensificado por vídeos virais, blogs sensacionalistas e influencers que discutiram abertamente a obra e seus supostos acertos. Para agravar ainda mais o cenário, um vidente anônimo viralizou após “confirmar” a previsão da mangaká e recomendar evitar o Japão neste período.

Essa combinação de elementos, superstição, trauma coletivo e desinformação, criou o ambiente perfeito para uma onda de pânico digital, difícil de ser controlada.

Comunicação mal interpretada do governo

A confusão ganhou novo fôlego quando internautas passaram a compartilhar um relatório do governo japonês que indica 80% de chance de um grande terremoto na região da Fossa de Nankai nos próximos 30 anos.

Embora o documento seja real e trate de previsões estatísticas de longo prazo, ele foi interpretado erroneamente como um alerta de curto prazo, o que apenas alimentou a paranoia coletiva.

Entre a cultura do medo e o preparo consciente

O Japão, um dos países mais propensos a terremotos do mundo, mantém sistemas avançados de monitoramento sísmico e uma cultura consolidada de prevenção de desastres.

A presença de sirenes, treinamentos regulares e planos de evacuação mostra que a sociedade japonesa leva a sério o risco sísmico, mas com base em dados, não em previsões místicas.

O episódio mostra como, mesmo em sociedades tecnológicas, o imaginário coletivo ainda é profundamente influenciado por elementos culturais e narrativas simbólicas.

A arte pode alertar, provocar e inspirar, mas a responsabilidade de agir com prudência e lógica continua sendo coletiva. E, sobretudo, científica.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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