A relação dos brasileiros com o futebol segue marcada por forte intensidade emocional, ultrapassando barreiras regionais, sociais e econômicas. Levantamento nacional realizado pelo instituto Ipsos-Ipec entre os dias 5 e 9 de junho de 2025 aponta que 33,3% dos torcedores se declaram altamente fanáticos, atribuindo notas 9 ou 10 ao grau de envolvimento com seu clube.
Esse índice supera o dos que demonstram baixo nível de engajamento (26,7%), reforçando a ideia de que o sentimento de pertencimento ainda ocupa papel central na cultura futebolística do país. A pesquisa ouviu 2 mil brasileiros com 16 anos ou mais, em 132 municípios, e apresenta margem de erro de 2,2 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança.
Torcedores fanáticos
A pesquisa traça ainda um perfil detalhado dos torcedores mais engajados. O grupo com maior grau de fanatismo é composto, em sua maioria, por homens, jovens de 25 a 34 anos, pessoas autodeclaradas pretas ou pardas, residentes do Nordeste e de cidades pequenas ou do interior do país. Esse grau de envolvimento também se mostra mais presente entre indivíduos com menor escolaridade, renda de até um salário mínimo e pertencentes às classes D e E.
Em contraste, os torcedores que demonstram menor identificação com seus clubes — atribuindo notas mais baixas ao próprio envolvimento — são, em geral, mulheres, pessoas brancas, com nível superior completo, renda superior a cinco salários mínimos e residentes de municípios de médio porte (entre 50 mil e 500 mil habitantes), especialmente na Região Sul e em áreas periféricas de grandes capitais.
Outros dados
Além das percepções subjetivas, a pesquisa investigou comportamentos associados ao fanatismo no futebol. Os dados indicam que nem sempre a declaração de paixão se traduz em prática:
- 12,6% dos torcedores mais fanáticos deixam de cumprir compromissos para ver partidas;
- 59,1% acompanham notícias esportivas com frequência;
- 56,4% assistem a todos os jogos do time;
- 32,2% usam regularmente roupas ou acessórios do clube;
- 29,2% afirmam se abalar com derrotas.
Outros recortes revelam nuances no comportamento do torcedor:
- Jovens expressam o fanatismo por meio de vestuário e consumo de conteúdo;
- Mais velhos veem mais jogos, em geral por maior estabilidade financeira;
- Moradores de capitais têm mais acesso a estádios, transmissões e produtos oficiais;
- Pessoas com menor renda se consideram mais fanáticas, mas têm menor acesso aos meios de consumo associados ao futebol






