A prática médica não se limita a exames, cirurgias e tratamentos; ela também abrange a terminologia empregada para designar as doenças. A escolha dessas palavras impacta tanto a qualidade do atendimento clínico quanto a forma como a sociedade enxerga os indivíduos que vivem com essas condições.
Por esse motivo, termos antigos, frequentemente associados a preconceitos, vêm sendo gradualmente substituídos por expressões mais técnicas, precisas e respeitosas, acompanhando o avanço do conhecimento científico e o compromisso com a sensibilidade social.
Termos médicos substituídos
A nosologia, ramo da medicina que organiza e padroniza as doenças, facilita a comunicação entre profissionais e sistemas de saúde no mundo todo por meio de códigos como a CID-11, da Organização Mundial da Saúde (OMS). As mudanças na terminologia médica refletem avanços científicos, atualização dos critérios diagnósticos e o combate ao estigma social.
Entre os termos que refletem essas transformações estão:
- Lepra = Hanseníase
- Retardo mental = Deficiência intelectual
- Mongolismo = Síndrome de Down
- Doença sexualmente transmissível (DST) = Infecção sexualmente transmissível (IST)
- Transexualismo = Disforia de gênero
- Autismo = Transtorno do Espectro Autista (TEA)
- Síndrome de Asperger = TEA – Nível 1 de suporte
- Loucura/Insânia = Transtornos mentais específicos
- Psicose maníaco-depressiva = Transtorno bipolar
- Histeria = Transtorno de conversão ou transtornos somatoformes
- Hipocondria = Transtorno de ansiedade por doença
- Alcoólatra = Pessoa com transtorno por uso de álcool
- Impotência sexual = Disfunção erétil
- Derrame = Acidente vascular cerebral (AVC)
A atualização da linguagem médica não se trata de um mero ajuste nos termos, mas sim de uma necessidade para promover a dignidade dos pacientes, melhorar o acolhimento e ampliar o acesso ao tratamento, além de facilitar o entendimento entre profissionais de saúde e a população em geral.






