A recente decisão do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) de permitir a entrada de tilápia congelada proveniente do Vietnã acendeu o alerta em diversas entidades ligadas à produção de pescados no Brasil.
A medida, que reverte uma suspensão anterior imposta por razões sanitárias, foi recebida com preocupação tanto por seus potenciais efeitos econômicos quanto pelos riscos à segurança alimentar dos consumidores brasileiros.
Tilápia do Vietnã pode trazer uma ameaça oculta à saúde brasileira
No final de abril, o ministro Carlos Fávaro assinou a revogação da proibição imposta em fevereiro de 2024, permitindo novamente a importação da tilápia vietnamita.
A suspensão anterior havia sido motivada por preocupações sanitárias, principalmente pela possibilidade de introdução do vírus TiLV, uma enfermidade infecciosa e altamente contagiosa que afeta peixes de água doce.
A reabertura do mercado ocorreu após a apresentação de informações pelas secretarias de Relações Internacionais e de Defesa Agropecuária, mas até o momento o governo federal não esclareceu se houve atualização nos protocolos de segurança que justificasse a mudança.
A Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), que representa o setor, argumenta que a retomada das importações ocorreu sem garantias suficientes de que os riscos sanitários foram resolvidos.
Segundo a entidade, o Vietnã adota procedimentos industriais que seriam proibidos no Brasil, como a inserção de água nos filés por meio de processos celulares, o que comprometeria a qualidade do produto e mascararia seu real peso.
A entidade já anunciou que fará análises laboratoriais próprias em lotes importados.
Produtores temem impacto econômico da entrada da tilápia do Vietnã no Brasil
Do ponto de vista econômico, o setor produtivo brasileiro teme um efeito devastador com a permissão de entrada da tilápia do Vietnã.
Representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) acusam o Vietnã de praticar dumping, já que o pescado chega ao país por valores significativamente abaixo do custo nacional de produção.
O preço por quilo praticado pelos vietnamitas, segundo lideranças do setor, é até 50% inferior ao valor brasileiro, o que tornaria inviável competir sem prejuízos à cadeia produtiva interna.
Além dos possíveis impactos diretos à saúde e à economia, há receio de que a entrada de tilápia de qualidade inferior prejudique a imagem do pescado nacional, desenvolvido com padrões rigorosos de qualidade e sustentabilidade ao longo de décadas.





