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O que o Cade descobriu ao investigar o mercado de remédios no Brasil

Por Yasmin Henrique
22/07/2025
Em Mais Tendências, Colunas
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Bactérias resistentes a antibióticos podem surgir por causa de descarte incorreto

(Foto: reprodução/Roberto Sorin/Unsplash)

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) lançou, em junho, a 22ª edição da série “Cadernos do Cade”, focada no mercado de fabricação de medicamentos para uso humano. O estudo reúne a atuação do órgão entre 1994 e abril de 2025, consolidando práticas e entendimentos sobre controle de estruturas e repressão a condutas anticompetitivas no setor farmacêutico.

A publicação detalha a metodologia na análise de atos de concentração e investigações de condutas irregulares, oferecendo uma visão clara das decisões e critérios adotados. Assim, o documento funciona como guia para agentes econômicos, facilitando a compreensão das normas e expectativas regulatórias no mercado farmacêutico.

Análise do Cade

Principais achados do estudo do Cade sobre o mercado de medicamentos para uso humano:

  • Entre 1994 e abril de 2025, o Cade avaliou 326 operações no setor, aprovando 90% sem restrições, 4% com condições, arquivando 3% e desconhecendo outros 3%.
  • Os resultados indicam um ambiente regulatório estável e, em geral, favorável à indústria farmacêutica.
  • O estudo aborda critérios fundamentais para a análise concorrencial, incluindo a definição do mercado relevante com base na classificação terapêutica, necessidade de prescrição médica e indicação do produto.
  • O mercado é tradicionalmente considerado em âmbito nacional.
  • A análise da concorrência considera a fidelidade do consumidor à marca, a diferenciação dos produtos e a influência dos medicamentos genéricos.
  • Barreiras à entrada variam segundo a categoria do medicamento, podendo ser regulatórias, tecnológicas ou de reputação.
  • A concorrência potencial é atribuída somente a medicamentos em fase avançada (fase 3) de testes clínicos.
  • O estudo destaca integrações verticais importantes, como entre fabricantes de insumos farmacêuticos e laboratórios, produtores de cápsulas e empresas farmacêuticas, além da cadeia de produção e distribuição.
  • Porém, há ausência de análise sobre contratos associativos, como parcerias para marketing, desenvolvimento e distribuição, limitando a compreensão sobre a atuação do Cade nessas práticas.
  • No controle de condutas, foram concluídas 16 investigações, com 7 condenações: 4 casos de cartel, 2 de cartel em licitações e 1 de sham litigation.
  • Embora o sham litigation represente 44% das investigações, resultou em poucas condenações.

Por fim, o estudo destaca as recentes inovações no setor, como a ampliação do uso de inteligência artificial, blockchain e manufatura aditiva, que representarão desafios para as futuras avaliações de concorrência.

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Yasmin Henrique

Jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita.

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