Publicado na revista científica IMA Fungus, um estudo recente reuniu dados genéticos e morfológicos para identificar cogumelos comestíveis presentes no Brasil. A pesquisa cruzou uma base de dados internacional com registros nacionais, revelando uma diversidade pouco explorada de fungos com potencial alimentício.
Conduzido por pesquisadores do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), o levantamento resultou na catalogação de 409 espécies silvestres comestíveis. O trabalho também destaca a relevância dos saberes tradicionais de comunidades indígenas, quilombolas e de pequenos agricultores, que utilizam esses fungos há gerações na alimentação e em práticas medicinais.
Novos cogumelos
O estudo não apenas identificou a presença de diversas espécies já reconhecidas internacionalmente, como também revelou a existência de variedades pouco exploradas e até inéditas para a ciência. Um dos destaques foi o cultivo bem-sucedido, em laboratório, de 12 espécies nativas, o que representa um avanço promissor para a agricultura e a indústria alimentícia brasileira.
Hoje, o mercado nacional de cogumelos comestíveis é majoritariamente ocupado por variedades exóticas — como shitake, shimeji e champignon-de-paris — cultivadas em sistemas controlados. A inclusão de espécies silvestres brasileiras nesse cenário pode trazer novos sabores e perfis nutricionais ao consumidor, além de fomentar cadeias produtivas regionais com práticas sustentáveis e valorização da biodiversidade local.
Sob a ótica da nutrição, os cogumelos apresentam perfil altamente benéfico à saúde: são fontes de aminoácidos essenciais, fibras, vitaminas e minerais, além de possuírem baixo teor calórico. Essa combinação os torna aliados de dietas equilibradas e sustentáveis, com valor tanto gastronômico quanto ambiental.
Combate ao preconceito
O estudo também chama atenção para a necessidade de ampliar o conhecimento público sobre os fungos, muitas vezes vistos com desconfiança devido à associação com substâncias tóxicas ou processos de decomposição.
Para mudar essa percepção, os pesquisadores destacam a importância de iniciativas de educação científica que orientem o consumo seguro. O medo generalizado de cogumelos silvestres, embora compreensível pela existência de espécies venenosas, reforça a urgência de identificar e diferenciar corretamente os tipos comestíveis dos potencialmente perigosos.






