Em resposta à abertura de uma investigação comercial pelos Estados Unidos contra o Brasil, o governo brasileiro publicou nesta quarta-feira nas redes sociais uma mensagem que combina ironia e defesa do sistema nacional de pagamentos instantâneos, o Pix.
A publicação foi feita pelo perfil oficial do Governo Federal no Instagram, pouco depois da divulgação do relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que apontou o Pix como um dos focos da investigação.
Defensiva do PIX
A imagem publicada traz a frase “O Pix é nosso, my friend”, acompanhada da legenda provocativa: “Parece que nosso Pix vem causando um ciúme danado lá fora, viu?”. O governo destaca o meio de pagamento como “Seguro, Sigiloso e Sem taxas” e defende o sistema com a mensagem: “Nada de mexer com o que tá funcionando, ok?”, reforçando a soberania nacional: “O Brasil é o quê? Soberano.”
O relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) acusa o Brasil de favorecer sistemas governamentais como o Pix, prejudicando a competitividade de empresas americanas como Google Pay e Apple Pay. Desde seu lançamento em 2020 pelo Banco Central, o Pix se tornou o principal meio de pagamento do país, com mais de 175 milhões de usuários e movimentação de R$ 26,4 trilhões em 2024, segundo dados oficiais.
Investigação dos EUA sobre o Brasil
A investigação dos Estados Unidos vai além do meio de pagamento nacional, abrangendo diversas questões comerciais e regulatórias. Sob a administração Trump, foi anunciada a aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. O relatório do USTR critica o combate ao desmatamento ilegal, a proteção da propriedade intelectual, o enfrentamento da corrupção, a regulação das redes sociais e as tarifas sobre o etanol.
Em relação às redes sociais, o documento destaca decisões do Supremo Tribunal Federal que obrigam plataformas a remover conteúdos considerados ilícitos sem ordem judicial, o que, segundo os EUA, representa riscos para empresas norte-americanas.
Também menciona a Rua 25 de Março, em São Paulo, como símbolo da pirataria e questiona o tratamento tarifário preferencial dado pelo Brasil ao México e à Índia em detrimento dos EUA. Diante do aumento das tensões, o governo brasileiro enviou uma carta formal às autoridades americanas, manifestando “indignação” e pedindo negociações para buscar soluções aos conflitos entre os países.






