Um achado impressionante surpreendeu uma equipe de cientistas brasileiros que explorava uma região remota da Amazônia: parte do fóssil de uma tartaruga de proporções colossais, que viveu há milhões de anos, foi encontrada às margens do Rio Acre, no interior do Estado do Acre.
O fragmento, bem preservado, é considerado um dos mais completos já localizados no Brasil da espécie Stupendemys geographicus, a maior tartaruga de água doce conhecida até hoje.
Descoberto fóssil raro de tartaruga gigante na Amazônia
A descoberta do fóssil da tartaruga gigante ocorreu durante uma expedição científica realizada por pesquisadores da Universidade Federal do Acre (Ufac), da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A equipe se deslocou por mais de sete horas em meio à floresta e ao leito seco do rio até chegar ao local, já conhecido por registros fósseis, mas raramente com exemplares tão grandes e bem conservados.
A carapaça encontrada mede cerca de 1,3 metro e, segundo os especialistas, representa apenas uma fração do tamanho total do animal, que poderia alcançar até três metros de comprimento.
O fóssil estava parcialmente exposto no solo, com sinais de intemperismo indicativos de longa exposição ao sol e à chuva. Próximo à carapaça, os pesquisadores também localizaram ossos do fêmur e do antebraço, o que aumenta a relevância do material encontrado.
Embora a espécie já tenha sido identificada em outros países da América do Sul, como Venezuela e Colômbia, esta é a primeira vez que um exemplar tão completo é resgatado em território brasileiro.
Fóssil da tartaruga pré-histórica será parcialmente montado para novos estudos
Na prática, a descoberta reforça a hipótese de que a região amazônica abrigava ecossistemas aquáticos muito mais extensos e profundos do que os atuais. Além disso, ela permite comparações entre fósseis de diferentes países para investigar a evolução da megafauna sul-americana.
Os cientistas também pretendem estudar os minerais presentes nos sedimentos onde o fóssil foi encontrado, o que pode oferecer pistas sobre o clima e a geologia da época.
O transporte do fóssil para o laboratório foi um desafio logístico. Após dias de espera, ele foi levado por caminhão até a Ufac, onde será limpo, restaurado e analisado.
O próximo passo da pesquisa é tentar montar o esqueleto parcial, o que permitirá estudos anatômicos mais aprofundados e, possivelmente, novas revelações sobre a vida dessa impressionante tartaruga pré-histórica.





