O Sistema Único de Saúde (SUS) incluirá, ainda em 2025, dois novos tratamentos hormonais para mulheres com endometriose: o dispositivo intrauterino com liberação de levonorgestrel (DIU-LNG) e o desogestrel. As portarias que autorizam a incorporação dessas tecnologias foram publicadas em maio, e o prazo para que comecem a ser ofertadas é de até 180 dias a partir da publicação.
A iniciativa faz parte da atualização tecnológica do SUS, baseada em evidências científicas e validada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Segundo o Ministério da Saúde, a medida busca ampliar o acesso a terapias modernas e seguras, promovendo mais qualidade de vida para pacientes com a doença.
Novos tratamentos no SUS
As novas tecnologias interrompem o crescimento do tecido endometrial fora do útero. O DIU-LNG, indicado para quem não pode usar anticoncepcionais orais combinados, tem efeito prolongado e precisa ser trocado a cada cinco anos. O desogestrel bloqueia a ovulação e pode ser usado já na fase clínica, antes da confirmação diagnóstica por exames.
Embora contraceptivos, no SUS esses métodos são exclusivos para tratar a endometriose. Para prevenção, o sistema público oferece DIU de cobre, pílulas combinadas, injetáveis, minipílulas, diafragma, pílula de emergência e preservativos.
Atualmente, o SUS disponibiliza tratamento clínico, com hormônios, analgésicos e anti-inflamatórios, e tratamento cirúrgico, com videolaparoscopia, laparotomia e, em casos específicos, histerectomia. Entre 2022 e 2024, os atendimentos especializados aumentaram 70% e as internações cresceram 32%, totalizando mais de 34 mil registros.
Endometriose
A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta entre 5% e 15% das mulheres em idade fértil. A condição ocorre quando tecidos semelhantes ao endométrio — a camada que reveste o interior do útero — crescem em locais fora do útero, como ovários, trompas, bexiga ou intestino. Esses tecidos continuam respondendo às variações hormonais do ciclo menstrual, o que gera inflamação, dores intensas e, em muitos casos, dificuldade para engravidar.
Os sintomas mais frequentes incluem cólicas menstruais intensas, dor pélvica persistente, incômodo durante relações sexuais e alterações intestinais ou urinárias. As causas da endometriose ainda não são completamente esclarecidas, mas estudos indicam a influência de fatores genéticos, hormonais e falhas no sistema imunológico.





