As chamadas “canetas emagrecedoras” surgiram a partir de medicamentos originalmente indicados para o tratamento do diabetes tipo 2, como a semaglutida, a liraglutida e mais recentemente a tirzepatida.
Esses medicamentos atuam como análogos do hormônio GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1), que é produzido naturalmente pelo organismo para ajudar na regulação do apetite, favorecendo a redução da fome e, consequentemente, auxiliando na perda de peso.
Por esse motivo, além de pacientes diabéticos, pessoas com obesidade passaram a receber essas medicações sob acompanhamento médico, pois se mostraram eficazes na redução do peso corporal quando usadas corretamente.
O avanço do uso estético
Com a grande repercussão dos resultados dessas canetas no emagrecimento, a demanda aumentou, especialmente entre pessoas que buscam perder peso rapidamente por motivos estéticos, sem necessariamente ter indicação clínica para o uso.
Esse crescimento no interesse abriu espaço para o mercado ilegal: versões falsificadas e contrabandeadas dessas canetas passaram a ser produzidas e vendidas, principalmente no Paraguai, e distribuídas ilegalmente no Brasil, através de redes sociais e grupos de mensagens instantâneas.
Os perigos das canetas falsificadas
Diferente das versões aprovadas e regulamentadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as canetas contrabandeadas não passam por nenhum controle de qualidade ou segurança. Assim, os riscos aumentam exponencialmente:
- Composição desconhecida: Podem conter substâncias tóxicas, contaminantes ou ingredientes diferentes dos originais.
- Ausência de controle de dosagem: Risco de administração inadequada, levando a efeitos adversos graves.
- Riscos à saúde: Danos ao fígado, rins e coração são possíveis, além de complicações como pancreatite.
- Internações e quadros graves: Já existem relatos de pacientes que foram parar em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) após o uso dessas canetas.
A falta de fiscalização e o papel das redes sociais
As falsificações são anunciadas abertamente em plataformas digitais, com propagandas que prometem emagrecimento rápido e milagroso. Muitas vezes, os vendedores sequer exigem receita médica, ou aceitam qualquer documento, facilitando o acesso indiscriminado a esses produtos.
Embora o Brasil tenha implementado regras rigorosas para a venda dessas medicações, incluindo a obrigatoriedade da retenção da receita, o combate à falsificação ainda é um desafio constante para as autoridades.
Consequências do uso sem acompanhamento médico
O uso inadequado dessas canetas pode gerar vários efeitos colaterais sérios, entre eles:
- Náuseas e vômitos frequentes
- Desidratação severa
- Perda excessiva de massa magra e óssea
- Desequilíbrios eletrolíticos
- Problemas cardiovasculares
Além disso, a automedicação e a interrupção abrupta do tratamento podem desencadear o temido “efeito sanfona”, no qual o paciente recupera rapidamente o peso perdido, agravando o quadro.
Quem não deve usar essas medicações?
Especialistas alertam que essas canetas são contraindicadas para pessoas que não apresentam obesidade ou diabetes, bem como para:
- Pacientes com alergia aos componentes do medicamento
- Pessoas com histórico de pancreatite
- Quem tem histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide
- Gestantes e lactantes
O uso incorreto pode agravar ou desencadear essas condições.
O que fazer para se proteger?
- Sempre consultar um médico antes de iniciar qualquer tratamento para emagrecimento.
- Exigir medicamentos apenas em farmácias autorizadas e com receita retida.
- Desconfiar de ofertas muito baratas ou vendas em redes sociais e grupos de mensagens.
- Denunciar pontos de venda ilegais às autoridades sanitárias.
O combate a esse problema exige a união de esforços entre órgãos reguladores, profissionais da saúde e a conscientização da população para evitar que o desejo por um emagrecimento rápido se transforme em um problema de saúde ainda maior.






