Mais Tendências - Tribuna de Minas
  • Cidade
  • Contato
  • Região
  • Política
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura
  • Empregos
Mais Tendências - Tribuna de Minas
Sem resultados
Ver todos os resultados
Mais Tendências - Tribuna de Minas
Sem resultados
Ver todos os resultados

Servidores terão aumento automático no 13º e férias após decisão do STJ

Por Leticia Florenço
10/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
0
STJ - Reprodução

STJ - Reprodução

Uma decisão recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) alterou a forma como são calculados o 13º salário e o pagamento de férias de milhares de servidores públicos federais.

A mudança impacta diretamente aqueles que já preencheram os requisitos para a aposentadoria, mas optaram por continuar trabalhando e recebem, por isso, o chamado abono de permanência.

A partir de agora, esse abono deverá ser incluído na base de cálculo desses dois benefícios, aumentando os valores a serem recebidos pelos servidores ativos que se enquadram nessa condição.

O que é o abono de permanência e por que ele existe

O abono de permanência é uma compensação financeira oferecida ao servidor que já poderia se aposentar, mas decide seguir em atividade. Na prática, o governo continua recolhendo a contribuição previdenciária normalmente, mas devolve ao servidor exatamente o mesmo valor, em forma de abono.

A lógica por trás dessa medida é clara: manter na ativa profissionais experientes, evitando aposentadorias em massa que comprometam o funcionamento da máquina pública. É como um estímulo financeiro para que o servidor adie sua saída.

Impacto direto na folha de pagamento da União

Com essa decisão, o impacto financeiro é inevitável. Segundo o Painel Estatístico de Pessoal do governo federal, em 2023, o total gasto com o abono de permanência foi de R$ 1,8 bilhão.

Agora, estima-se que o valor do 13º salário aumente cerca de R$ 150 milhões por ano, enquanto o pagamento de férias suba em torno de R$ 50 milhões anuais. Esses valores decorrem da nova obrigação de incluir o abono de permanência no cálculo desses benefícios, o que não era feito anteriormente.

STJ reconhece o caráter remuneratório do abono

A decisão do STJ resolve um antigo impasse jurídico sobre a natureza do abono de permanência. Durante anos, discutiu-se se ele teria caráter indenizatório, o que o excluiria da base de cálculo dos demais benefícios ou remuneratório.

A tese indenizatória também tinha a intenção de isentá-lo do Imposto de Renda. Mas o entendimento firmado pela Corte foi claro: o abono tem natureza remuneratória. Ele integra, portanto, a remuneração mensal do servidor, e deve ser incluído em todos os cálculos de benefícios com base no salário.

A ministra Regina Helena Costa, relatora do caso, destacou que o valor tem caráter permanente enquanto o servidor estiver em atividade, o que o torna parte integrante da remuneração.

Resistência do governo e argumento da transitoriedade

A União, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), argumentou que o abono é um pagamento temporário, já que só vigora até a data da aposentadoria. Por esse motivo, defendeu que ele não deveria ser incluído no cálculo do 13º ou das férias.

Contudo, esse argumento foi rejeitado pela relatora, que afirmou que, enquanto for pago, o abono se incorpora de forma irreversível à remuneração mensal do servidor, e por isso tem efeito sobre os demais benefícios.

Possibilidade de pagamento retroativo gera expectativa

Com a decisão do STJ, muitos servidores podem entrar com ações judiciais para reivindicar valores retroativos. Isso significa que, mesmo que o servidor não tenha solicitado formalmente o reconhecimento do abono nos anos anteriores, poderá pedir a recontagem de férias e 13º com base no novo entendimento.

A advogada especializada em previdência Adriane Bramante explicou que a Justiça já tem reconhecido esse tipo de direito independentemente de pedido administrativo anterior. O mesmo deve se aplicar para os valores de férias e gratificação natalina, o que pode gerar um volume de novas ações judiciais.

Número de beneficiados e tendência de queda

Atualmente, cerca de 68 mil servidores públicos federais recebem o abono de permanência, o que equivale a 11,9% do total de servidores ativos. Embora o número ainda seja muito, ele vem caindo nos últimos anos, em 2020, por exemplo, havia quase 79 mil beneficiados.

Apesar disso, o custo total permanece elevado. Apenas em 2024, os pagamentos já somaram R$ 770 milhões até agora, refletindo o peso desse incentivo nos cofres públicos.

Por fim, a decisão do STJ reacende o debate sobre os custos da máquina pública e os direitos dos servidores que seguem ativos após atingir o tempo para aposentadoria.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

Próximo post
Foto: Alex Knight/Unsplash

Empresas mais inovadoras do Brasil tem uso intensivo da inteligência artificial

Confira!

Cachorro - Reprodução/iStock

A psicologia explica por que quem conversa com o pet como se fosse gente tem características acima da média

05/06/2026
Imposto de Renda Receita Federal

Mesmo com problemas na pré-preenchida, declaração pode virar automática em 3 anos

05/06/2026
Esponja - Reprodução/Unsplash/fcafotodigital

Estudo comprova que a esponja de louça libera microplásticos na água a cada vez que é usada

05/06/2026

Copyright Tribuna de Minas. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a autorização escrita da Tribuna de Minas

Contato

Bem-vindo de volta!

Faça login abaixo

Esqueceu a senha?

Recupere sua senha

Insira seu nome de usuário ou endereço de e-mail para redefinir sua senha.

Log In

Adicionar nova Playlist

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Contato

Tribuna de Minas