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Essa cidade é conhecida como a “capital dos anões” onde maioria tem até 1,40m

Por Leticia Florenço
03/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Itabaianinha, Sergipe - Reprodução

Itabaianinha, Sergipe - Reprodução

Itabaianinha, no interior de Sergipe, não é apenas mais uma cidade nordestina com raízes históricas e forte presença cultural. Ela é conhecida nacional e internacionalmente como a “Cidade dos Anões”, uma referência à notável concentração de pessoas com nanismo, especialmente na zona rural de Carretéis.

Essa particularidade, que chamou a atenção do mundo, é resultado de uma combinação rara de fatores genéticos, sociais e históricos, que transformaram o município em um verdadeiro símbolo de identidade, superação e resistência.

A genética por trás do fenômeno

A origem do nanismo em Itabaianinha está relacionada à Deficiência Isolada do Hormônio do Crescimento (DIGH), uma condição hereditária rara causada por mutações genéticas que impedem a produção adequada do hormônio do crescimento.

Diferente de outros tipos de nanismo, a DIGH gera baixa estatura (geralmente entre 1,05m e 1,35m), mas com proporções corporais normais.

Essa condição foi amplificada por um isolamento social e geográfico prolongado, além de casamentos consanguíneos ao longo de diversas gerações no povoado de Carretéis.

Em seu auge, a incidência chegou a 1 em cada 32 habitantes, uma taxa muito superior à média mundial, fazendo com que a cidade se tornasse objeto de estudo em diversas áreas da ciência, como a genética e a antropologia.

Impacto geracional e a construção de uma identidade

Com mais de oito gerações registradas, estima-se que mais de 130 pessoas tenham nascido com nanismo na região. A convivência comunitária e a presença significativa dessas pessoas no cotidiano da cidade geraram não apenas adaptação, mas também orgulho e pertencimento.

Em vez de esconder ou excluir, Itabaianinha passou a celebrar essa identidade única.

A expressão “cidade dos anões” ganhou um novo significado para os moradores: não um rótulo pejorativo, mas um símbolo de força e singularidade. Documentários, pesquisas, reportagens e até músicas reforçaram essa imagem.

A canção “Sou de Itabaianinha”, da banda Siri Mania, eterniza com orgulho essa parte essencial da história local.

Visibilidade além das fronteiras

A década de 1990 foi marcada por uma onda de interesse internacional. Veículos de comunicação como a CNN e jornais europeus realizaram reportagens sobre a cidade, ampliando sua notoriedade.

O italiano Marco Sanvoisin, ao visitar Itabaianinha, descreveu seus habitantes como personagens de conto de fadas, ressaltando a doçura e a peculiaridade de suas histórias.

Itabaianinha passou a ser referência para o estudo de comunidades genéticas isoladas e exemplo de como a biologia pode ser moldada por contextos culturais e históricos.

Trabalho, orgulho e superação

Mesmo diante das limitações físicas impostas pelo nanismo, a população afetada construiu uma trajetória marcada pela resiliência e inclusão parcial. Pessoas com DIGH atuam como comerciantes, educadores, artesãos, músicos e atletas.

Um dos ícones dessa história é Dona Pureza, primeira mulher com nanismo a se casar com um homem de estatura média, cuja história é contada com emoção em diversas reportagens.

A comunidade também se destaca por sua capacidade de organização, apoiando-se diante dos desafios e lutando por reconhecimento e respeito.

Avanços médicos e transformações demográficas

Nos últimos anos, a combinação de avanços na medicina, políticas públicas de saúde e maior acesso à informação permitiu que novos casos de nanismo fossem diagnosticados precocemente e tratados com hormônio do crescimento. Isso reduziu drasticamente a incidência da condição na nova geração.

Crianças que, no passado, teriam desenvolvido nanismo, hoje crescem com estaturas dentro da média, promovendo uma transição visual e social na cidade. O número de pessoas com DIGH diminui, mas o legado cultural permanece.

Para que a memória dessa comunidade não se perca, projetos como o projeto de lei nº 02/2020, da vereadora Lêda Maria Dantas, buscam registrar oficialmente o valor histórico e cultural das pessoas com nanismo em Itabaianinha.

Pesquisadores como Cleiton dos Santos, autor de uma monografia sobre o tema, alertam para a importância de se preservar o passado como ferramenta de identidade, aprendizado e orgulho para as futuras gerações.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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