Uma mãe paranaense emocionou familiares e fiéis ao concluir, por duas vezes, a transcrição completa da Bíblia à mão, com o objetivo de presentear seus dois filhos.
A primeira cópia foi finalizada em 2011 e entregue ao filho mais velho. Anos depois, ela decidiu repetir o gesto para presentear a filha, concluindo a segunda versão em 2024.
Ao todo, foram quase duas décadas dedicadas ao projeto, que une fé, disciplina e amor materno.
Mulher transcreve duas vezes a Bíblia à mão para dar aos filhos
Eliana Selmer, enfermeira aposentada de 65 anos e moradora de Castro, no Paraná, pertence à Igreja Adventista do Sétimo Dia, e explicou a história em entrevista ao site da Rádio Itatiaia.
Ela começou a escrever a Bíblia em 2006, motivada inicialmente pelo desejo de fortalecer seu conhecimento das Escrituras e tornar mais significativo seu momento devocional diário. A tarefa, no entanto, ganhou um propósito maior: tornar-se um presente pessoal e único para os filhos.
A primeira transcrição levou cerca de quatro anos e meio. A segunda, iniciada em 2020, foi concluída após quase o mesmo tempo. Cada edição manuscrita contém aproximadamente 2.500 páginas, todas escritas em folhas de fichário. Para encadernar o material, Eliana dividiu a Bíblia em quatro volumes.
O cuidado com os detalhes impressiona: ela usou diferentes cores de caneta para organizar os trechos — narrativas em preto, palavras de Jesus em vermelho ou verde, e o nome de Deus em dourado, em referência aos escribas antigos que tratavam essas palavras com reverência especial.
Segundo Eliana, o processo foi mais que um exercício de escrita. Em suas palavras, era como “viver as histórias”.
Ela relatou que passagens mais densas, como as dos profetas Isaías, Jeremias e Ezequiel, exigiram mais tempo e reflexão.
Transcrição da Bíblia inspirou outros membros da igreja a fazerem o mesmo
Apesar da dificuldade, em nenhum momento pensou em desistir. O que a movia era a ideia de deixar aos filhos não apenas um livro, mas uma herança espiritual carregada de significado.
O gesto da aposentada inspirou outros membros da sua igreja, que passaram a fazer o mesmo. Para ela, esse impacto é motivo de profunda gratidão. “Se esse trabalho simples tocar outras vidas e aproximar pessoas da Palavra de Deus, então valeu cada segundo”, afirmou.
Com convicção, Eliana defende que a fé deve unir e não dividir: “No céu, não haverá placas de igreja, apenas corações sinceros”.






