Um estudo recente conduzido por pesquisadores do Insper em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) revelou que, apesar do crescimento da remuneração variável, os bônus, entre executivos de empresas estatais brasileiras, essa parcela ainda é menor em relação ao setor privado.
Nos cargos de CEO, por exemplo, a remuneração fixa corresponde a 66% dos ganhos nas estatais, enquanto nas empresas privadas esse índice é de 59%. A pesquisa, intitulada “Análise e diagnóstico da remuneração de executivos e membros do conselho em empresas estatais no Brasil”, também apontou uma redução real nos valores da remuneração fixa desde 2016.
Pagamento de bônus
Por outro lado, a participação dos bônus tem crescido, embora muitas vezes os critérios que justificam esses incentivos nas estatais estejam vinculados a objetivos públicos ou políticos, o que torna sua avaliação mais difícil.
O relatório ressalta que, especialmente em estatais de economia mista com ações negociadas no mercado, existem metas financeiras parecidas com as das empresas privadas. Porém, essas organizações também têm metas relacionadas a políticas públicas, como assegurar a soberania em setores estratégicos, o que complica a definição precisa de indicadores de desempenho.
Salários nos setores
- Diretores estatutários de empresas estatais recebem, em média, entre R$ 92 mil e R$ 131 mil a menos por mês em comparação com seus pares do setor privado.
- Conselheiros de estatais ganham entre R$ 13 mil e R$ 23 mil a menos do que os conselheiros de empresas privadas.
- Considerando empresas do mesmo porte, a remuneração dos diretores de estatais é 48,5% inferior à dos diretores de companhias privadas.
- Empresas públicas dos setores financeiro, de indústria de transformação e indústria extrativa costumam pagar salários mais altos que outras estatais.
Para os autores, o objetivo da análise não é igualar os salários entre setores, mas destacar a importância de atrair e reter talentos qualificados no serviço público, com o propósito de fortalecer a viabilidade econômica e a eficácia social das estatais.





