Com a queda das temperaturas, é comum que a atenção se volte para os animais domésticos ou silvestres visíveis ao nosso redor. No entanto, poucos imaginam que até mesmo os peixes, especialmente os de grande porte, enfrentam desafios sérios no frio.
Um dos exemplos mais emblemáticos é o pirarucu, considerado o maior peixe de água doce do mundo, que pode adoecer e até desenvolver pneumonia durante os períodos de frio intenso.
Maior peixe de água doce pode desenvolver pneumonia no frio
Isso acontece porque o pirarucu, originário da bacia amazônica, possui uma característica incomum entre os peixes: ele respira ar atmosférico, utilizando uma estrutura semelhante a um pulmão.
Quando exposto a temperaturas baixas, seu organismo pode não funcionar corretamente, tornando-o vulnerável a infecções respiratórias.
Para evitar esse tipo de complicação, ambientes controlados como o Bioparque Pantanal, localizado em Campo Grande (MS), adaptam seus sistemas durante o inverno para proteger os animais.
Os tanques do Bioparque recebem reforço térmico com aquecedores e, em alguns casos, estufas são instaladas para manter a temperatura da água próxima dos 26 °C, que é ideal para espécies tropicais como o pirarucu.
Além disso, o uso de materiais isolantes, como feno, ajuda a preservar o calor em recintos de animais de sangue frio, como répteis e jabutis, que também são afetados pelas baixas temperaturas.
Peixes na natureza buscam maneiras de se aquecer no frio
Fora dos ambientes controlados, os peixes enfrentam o frio com estratégias instintivas.
Como são ectotérmicos — ou seja, não produzem calor corporal e dependem do ambiente para regular sua temperatura —, muitos se tornam menos ativos e buscam regiões mais profundas e movimentadas dos rios. Nessas áreas, a água tende a ser mais estável termicamente, o que garante certo conforto.
Durante o dia, alguns peixes se mantêm em calhas profundas com maior circulação de água. Já à noite, eles costumam se aproximar das margens, onde o calor acumulado nas pedras ajuda a suavizar o frio.
Ainda que silenciosa e pouco percebida, a luta dos peixes contra o frio é real e exige atenção. Em locais como o Bioparque Pantanal, a manutenção da saúde dessas espécies é prioridade, especialmente quando se trata de um gigante amazônico como o pirarucu, cuja sobrevivência depende de cuidados específicos durante o inverno.






