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Brasil já tem 2,2 milhões de trabalhadores por aplicativos

Por Leticia Florenço
27/06/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Motorista de aplicativo - Reprodução/iStock

Motorista de aplicativo - Reprodução/iStock

O trabalho mediado por aplicativos já é uma realidade consolidada no Brasil. Com mais de 2,2 milhões de trabalhadores ativos, a chamada “uberização” representa hoje uma das maiores transformações no mundo do trabalho contemporâneo.

Em comparação com 2022, houve um crescimento expressivo no número de profissionais cadastrados em plataformas digitais. Segundo a pesquisa do Cebrap e da Amobitec, o total de motoristas subiu 35%, enquanto os entregadores aumentaram em 18%.

  • Motoristas de app: 1.721.614
  • Entregadores por aplicativo: 455.621

Esse avanço demonstra como o setor continua em franca expansão e atrai cada vez mais pessoas, em meio a um cenário econômico de poucas vagas formais e alto desemprego.

Renda

A pesquisa também aponta que motoristas e entregadores têm, em média, uma renda líquida superior à da maioria da população com escolaridade semelhante.

  • Motoristas: R$ 3.083 a R$ 4.400 mensais
  • Entregadores: R$ 2.669 a R$ 3.581 mensais

Para comparação, pessoas com ensino médio completo, grau predominante entre esses trabalhadores, recebem em média R$ 2.392 mensais. Além disso, os ganhos estão bem acima do salário mínimo vigente de R$ 1.412.

Jornada flexível

Um dos pontos que atrai muitos trabalhadores para esse modelo é a jornada flexível. No entanto, os dados mostram que as horas efetivamente trabalhadas por semana não são tão extensas quanto se imagina:

  • Motoristas: Entre 19 e 27 horas por semana
  • Entregadores: Entre 9 e 13 horas por semana

Essa parcialidade pode estar ligada ao uso dos aplicativos como atividade complementar, ou à dificuldade em manter uma rotina exaustiva diante das condições urbanas e operacionais.

Previdência

O estudo evidencia uma brecha preocupante com a falta de cobertura previdenciária para a maior parte desses trabalhadores.

  • Apenas 53% dos motoristas e 57% dos entregadores contribuem com a Previdência Social.
  • Desses, cerca de 21% dos motoristas e 27% dos entregadores têm vínculo formal.
  • Outros 27% atuam como MEI (Microempreendedores Individuais).

A ausência de garantias como aposentadoria, auxílio-doença e licença maternidade levanta discussões urgentes sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos no país.

A regulamentação, portanto, precisa reconhecer a complexidade desse modelo, garantindo liberdade sem abrir mão da dignidade.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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