O elevado preço dos medicamentos está diretamente ligado ao extenso e caro processo de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Em média, leva-se cerca de 12 anos para que um novo fármaco seja testado e aprovado, exigindo investimentos que podem superar a marca de 1 bilhão de dólares.
Nesse intervalo, milhares de substâncias passam por estudos, mas apenas uma pequena parcela é autorizada para uso clínico. Grande parte dos medicamentos lançados recentemente tem como foco o tratamento de doenças raras e complexas, especialmente no campo da oncologia, que recebe a maior parte dos recursos destinados à inovação farmacêutica.
Custo dos remédios
Após a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a definição do preço dos medicamentos fica a cargo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Essa instituição estabelece o preço máximo de comercialização considerando fatores como os valores praticados em outros países (precificação por referência externa), o impacto financeiro no Sistema Único de Saúde (SUS), os custos de fabricação e a eficácia em comparação com tratamentos já disponíveis.
Os preços podem variar conforme o segmento de mercado, incluindo varejo, setor público e unidades hospitalares. Apesar das possibilidades de redução de custos por meio de práticas como inovação colaborativa, maior transparência e compartilhamento de informações, os valores elevados permanecem como um desafio a ser enfrentado.
Soluções
Os gastos públicos concentrados em um número reduzido de medicamentos, especialmente anticorpos monoclonais e fármacos biológicos, exercem forte pressão sobre o orçamento da saúde. Para mitigar esses custos, têm sido implementadas políticas como os acordos baseados em risco, nos quais o pagamento é condicionado aos resultados clínicos alcançados.
O Brasil tem se destacado na adoção de soluções inovadoras para ampliar o acesso a medicamentos de alto custo, incluindo a transferência de tecnologia para produção nacional e a celebração de acordos internacionais. Além disso, a centralização das aquisições pelo Ministério da Saúde fortalece a capacidade de negociação com a indústria farmacêutica, contribuindo para a sustentabilidade do SUS.






