A Doença de Alzheimer é a principal causa de demência no mundo e afeta milhões de pessoas todos os anos. Trata-se de uma condição neurodegenerativa que compromete progressivamente a memória, o raciocínio e as habilidades de comunicação. Um dos primeiros indícios do Alzheimer pode ser percebido na maneira como a pessoa fala.
Alterações na linguagem podem sinalizar o declínio cognitivo antes mesmo que outros sintomas mais evidentes apareçam. Identificar esses sinais precocemente pode ajudar no diagnóstico e permitir que o paciente receba um acompanhamento adequado, melhorando sua qualidade de vida.
Pausas longas e hesitações frequentes
Esquecer palavras ocasionalmente é comum para qualquer pessoa, mas no Alzheimer isso ocorre com maior frequência e intensidade. A dificuldade em lembrar termos específicos pode levar a pausas prolongadas e hesitações durante a fala.
Quando não conseguem se lembrar de uma palavra, os pacientes costumam recorrer a descrições vagas ou expressões genéricas. Em vez de dizer “telefone”, por exemplo, podem dizer “aquele aparelho que usamos para falar com as pessoas”. Essa dificuldade de acesso ao vocabulário pode tornar a comunicação mais demorada e menos objetiva.
Com o avanço da doença, essas pausas se tornam mais frequentes e a pessoa pode demonstrar frustração ao perceber que não consegue expressar suas ideias com clareza.
Substituição de palavras por termos errados
Outro sinal preocupante é a troca de palavras por outras que possuem alguma semelhança, mas que não são adequadas ao contexto. Isso acontece porque o cérebro tem dificuldade em acessar o termo correto e acaba selecionando uma alternativa aproximada.
Por exemplo, ao tentar se referir a um “garfo”, a pessoa pode dizer “faca” ou “colher”, pois ambos pertencem à mesma categoria de utensílios. Nos estágios iniciais da doença, essas trocas podem ser sutis, mas com o tempo se tornam mais frequentes e podem envolver palavras sem relação aparente.
Esses erros não são apenas lapsos momentâneos, mas sim um padrão recorrente que compromete a comunicação do indivíduo.
Dificuldade para iniciar e concluir tarefas
Pacientes com Alzheimer muitas vezes verbalizam suas intenções em vez de realizar as ações propriamente ditas. Isso pode ser um reflexo da dificuldade em planejar e executar tarefas.
Por exemplo, em vez de simplesmente levantar e pegar um copo d’água, a pessoa pode dizer repetidamente “Preciso tomar água” ou “Estou com sede”, sem agir de fato. Esse comportamento pode ser interpretado como distração ou indecisão, mas na realidade reflete uma limitação cognitiva causada pela doença.
A tendência de falar sobre a tarefa, em vez de executá-la, pode indicar um declínio na capacidade de tomar decisões e coordenar ações.
Uso limitado de vocabulário e repetição de palavras
Outro indício da Doença de Alzheimer é a simplificação progressiva da linguagem. Pessoas afetadas passam a utilizar um vocabulário mais restrito e repetitivo, evitando palavras mais sofisticadas ou específicas.
Elas podem, por exemplo, usar constantemente os mesmos verbos e substantivos, além de recorrer a conectivos simples como “e”, “mas” e “então” para estruturar frases. Com o tempo, a comunicação torna-se menos fluida e mais monótona.
Além disso, há uma tendência a usar frases curtas e diretas. Em vez de dizer “Hoje de manhã fui ao mercado comprar frutas, legumes e carne para o jantar”, a pessoa pode simplesmente dizer “Fui ao mercado”. Essa redução no detalhamento da fala pode ser um alerta para o declínio cognitivo.
Dificuldade para lembrar categorias de palavras
Uma das formas de avaliar o comprometimento cognitivo é observar a capacidade da pessoa de lembrar palavras dentro de uma mesma categoria.
Por exemplo, se for pedido que cite três tipos de frutas, um paciente com Alzheimer pode ter dificuldades para lembrar ou demorar muito para responder. Ele também pode listar palavras que não pertencem à categoria solicitada.
Esse sintoma se torna mais evidente à medida que a doença progride, dificultando ainda mais a comunicação e a organização do pensamento.
A identificação precoce desses sinais pode ser essencial para um diagnóstico antecipado da Doença de Alzheimer. Embora não haja cura, existem tratamentos que podem retardar sua progressão e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Caso esses sintomas sejam observados com frequência em um familiar ou amigo, é fundamental buscar uma avaliação médica especializada.